Em carta protocolada ontem pela manhã na Câmara Municipal, o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) desmentiu todas as declarações atribuídas a ele pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O manuscrito, entregue por um ex-assessor de Barros à Presidência da Casa com cópia para a Comissão de Ética Parlamentar (CEP), traz assinatura do autor com firma reconhecida em cartório.
''Estou fazendo esta declaração para evitar que uma injustiça seja cometida dentro desta Câmara Municipal, pois tenho acompanhado pela imprensa que a Câmara está levando em consideração, como prova, as declarações que constam do meu depoimento no Ministério Público e que NÃO são verdadeiras'', diz o texto. Como o cabeçalho traz a data do dia 28 de fevereiro, é possível que a carta tenha sido escrita após a divulgação do relatório da CEP que pediu a cassação de Orlando Bonilha (PR), na sessão da última quinta-feira.
Barros afirma que ''não são verdadeiros'' os fatos constantes em seu depoimento envolvendo os nomes dos ex-colegas de Câmara. Vai além: garante que ''nunca'' disse ter entregado dinheiro ''a Bonilha ou a qualquer outro vereador''. A forma como sua confissão teria sido ''arrancada'' no interrogatório do MP, segundo o renunciante, será esclarecida em juízo.
Para um dos promotores do Gaeco que assinaram a denúncia contra os vereadores, Cláudio Esteves, chama a atenção o fato de que uma carta com tal teor tenha sido apresentada ''somente agora, quando a Câmara decide instaurar processo contra um vereador''.
Esteves lembrou que Barros deu até entrevista coletiva falando sobre o caso e disse que ''se houver contestação de validade e idoneidade do depoimento'', tem meios de compravá-lo. ''Fora do interrogatório, aliás, ele disse muito mais'', lançou Esteves.
De todos os acusados, Barros foi o único que chegou a ser preso. Ele foi flagrado com R$ 9,9 mil recebidos de dois empresários da cidade e ficou três dias numa cela especial do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). Desde que foi solto, nunca mais deu entrevistas. A reportagem encontrou seu celular desligado ontem. Na casa da família, a informação é de que ele estaria viajando. (V.N.)

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