Curitiba - Se antecipando a possíveis exigências impostas pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) para fechar um acordo de delação premiada, a defesa de Alberto Youssef desistiu de todos os recursos que tinham sido impetrados em tribunais para tentar anular os atos da Operação Lava Jato.
Entre os recursos estão habeas corpus pedindo a anulação de todas as provas incluídas nas ações penais em trâmite na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba; além do questionamento de competência e pedido de afastamento do juiz Sérgio Moro do caso. Ao todo foram impetrados oito recursos, sendo seis no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e outros dois no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Este recuo do doleiro indica claramente a iniciativa de tentar conseguir um acordo com os procuradores. E, com a desistência destes recursos, conforme adiantou a defesa de Youssef, a delação pode ser assinada nas próximas semanas. O londrinense é considerado uma peça-chave dentro da investigação, principalmente porque, ao contar o que sabe, pode auxiliar as autoridades a desvendar o suposto esquema de corrupção dentro da Petrobras, com pagamento de propina a políticos. O ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa já vem prestando depoimentos na Polícia Federal sobre o assunto.
O doleiro é réu em cinco ações penais da Lava Jato, entre elas a que tem por objeto crimes financeiros na celebração de contratos de câmbio fraudulentos em nome da empresa Labogem S/A Química Fina e outras para pagamentos no exterior de importações fictícias; e a que tem por objetivo crimes de lavagem de produtos de desvios de recursos públicos da Petrobras.
Caso a delação seja confirmada, o londrinense deve ter uma redução de pena considerável. Conforme sua defesa, ele decidiu fazer contato com os procuradores após pressão da família e também depois que soube da colaboração e tentativa de delação feitas por outros réus presos.

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