Candidatos engraçados, divertidos ou com bordões de efeito se tornam rapidamente conhecidos e são motivo de comentários, principalmente após o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão. Mas, na opinião do professor de Sociologia da Pontícia Universidade Católica do Paraná Lindomar Wessler Boneti, essa popularidade não se transforma em votos.
  De acordo com o professor, o peso maior na hora de decidir o voto ainda é da representatividade. ‘‘Um ponto fundamental é a identificação então, quanto mais ‘‘real’’ o personagem, mais ele poderá angariar votos’’, afirma. Embora, ressalta o professor, nem sempre exista uma relação direta profissional ou de classe social. ‘‘É importante notar que a identificação nem sempre se faz pela semelhança mas também pela idéia da projeção. A pessoa pobre que almeja ser da classe burguesa pode ver no candidato desta classe a representação de seu projeto de vida’’, diz.
  Os candidatos que utilizam personagens mais apelativos ou valem-se apenas do aspecto engraçado ou diferenciado para conseguir o voto, podem não obter bons resultados, segundo o professor. ‘‘Uma parte da sociedade vota nestes cidadãos como forma de protesto, mas este eleitor não ultrapassa 5% do total. O candidato não pode passar a imagem de palhaço se não ficará famoso, mas poderá não se eleger’’, adverte.
  Benati afirma que a estratégia pode ser positiva se, após conquistar a atenção do eleitor, o candidato tiver propostas a oferecer.‘‘Se além da imagem engraçada o candidato trouxer propostas concretas de como ele irá representar o eleitor, poderá ser uma boa estratégia. Mas de forma alguma pode cair no rídiculo’’, completa. ‘‘E o ideal é que seja realmente assim. A consciência política não permite que você vote em alguém porque o acha engraçado. O eleitor precisa analisar quem realmente poderá representá-lo para decidir seu voto’’, finaliza. (K.L.M.)

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