A popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso despencou em apenas 30 dias, efeito do plano de racionamento e das possibilidades, ainda não afastadas pelo governo, de apagões no País. De abril para maio, a avaliação positiva do presidente caiu de 29,7% para 22,1%, enquanto a negativa saltou quase 10 pontos percentuais, passando de 27,9% para 37,1%, no mesmo período, de acordo com os resultados da pesquisa elaborada pela Sensus para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada ontem.
Somando-se as duas alterações registradas, a variação da popularidade de Fernando Henrique foi de 16,8 pontos porcentuais entre os resultados da pesquisa de abril e de maio. ‘‘Foi uma queda muito grande para um intervalo de apenas 30 dias’’, afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade. O trabalho feito pelo governo para impedir a instalação da CPI da corrupção também contribuiu, no entender de Andrade, no aumento da desaprovação do desempenho de Fernando Henrique. ‘‘Os sentimentos de decepção e desconfiança em relação ao presidente, majoritário entre a população, somados ao medo do aumento da violência em função da crise energética e dos prováveis apagões, criaram no brasileiro uma insatisfação geral com o País’’, avaliou.
As variações registradas nas avaliações positiva e negativa do presidente refletiram, automaticamente, no índice geral de aprovação do desempenho dele. Dos dois mil entrevistados pela Sensus de 18 a 25 de maio, em 195 cidades brasileiras, 54,7% afirmaram que desaprovam o desempenho pessoal do presidente. Em abril, esse índice de desaprovação era de 46,5%. A aprovação do desempenho pessoal de FHC também despencou: de 46,1% em abril para 37,4% em maio.
Na pesquisa sobre intenções de voto para presidente em 2002, a novidade foi o crescimento do governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB). Ele registrou 10,6% das intenções de voto, aparecendo em quarto lugar, atrás do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes e do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que liderou as pesquisas. Na última vez em que o nome de Garotinho apareceu nas listas de presidenciávies, há quatro meses, ele tinha registrado apenas 4% das intenções de voto. ‘‘O crescimento de Garotinho leva-nos a concluir que o governador aparece como uma nova alternativa por ser um nome de resultados’’, afirmou Andrade.

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