Uma semana depois da desvalorização do real e da ameaça da volta da inflação, o presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu 10 pontos na popularidade entre os brasileiros. A queda foi revelada na 11ª rodada da pesquisa mensal feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com o Instituto Vox Populi, divulgada ontem. A avaliação negativa do governo de Fernando Henrique cresceu de 23% em dezembro para 33% um mês depois.
A pesquisa, que mede índices de satisfação do cidadão, foi realizada com 1.999 entrevistados de todo País entre os dias 23 e 24 de janeiro. A expectativa é de que a popularidade do presidente baixe ainda mais no próximo levantamento, que incluirá o impacto da mudança cambial sobre os preços. De modo geral, piorou a satisfação do brasileiro com o Estado, com serviços e com o governo.
Para 66% dos entrevistados, a situação da economia brasileira piorou do início do ano até agora; 24% acham que ficou igual ao que estava e apenas 8% consideram que melhorou. Os brasileiros tomaram consciência do que ocorre na economia nacional e têm uma avaliação negativa da situação econômica, embora curiosamente demonstrem confiança com relação à situação do País num futuro próximo. Para 66% dos entrevistados, o real sofreu uma grande desvalorização com relação ao dólar e 52% das pessoas sabem ou ouvem falar que aumentou o volume de dinheiro que deixou o País nos dias anteriores à pesquisa.
A expectativa com relação à inflação e desemprego também é pior. 73% das pessoas ouvidas acharam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses. Com relação ao desemprego no mesmo período, o percentual sobe para 82%. Mas os números são mais favoráveis ao governo e ao País com relação à confiança numa melhora. Os 54% de pessimistas com relação à atual conjuntura econômica do Brasil caem para 38% quando perguntados sobre a situação nacional daqui a três meses.
A maioria dos entrevistados, porém, continua confiando na capacidade do governo de enfrentar a crise (60%). Este percentual, entretanto, era maior em outubro, quando o presidente foi eleito em primeiro turno. Naquele mês, 17% dos entrevistados pela CNT/Vox Populi não acreditavam na capacidade do governo para resolver o problema, e esse número subiu para 29% em janeiro.
Para 43% das pessoas entrevistadas, a vida em seu Estado está piorando e o governo federal mais atrapalha (35%) do que ajuda (30%), enquanto o governo estadual mais ajuda (44%) do que atrapalha (21%). O índice geral de satisfação do cidadão é maior com relação aos serviços (130,68) do que com relação ao próprio Estado (121,47).
Na opinião do presidente da CNT, Clésio Andrade, o governo tem de agir com mais firmeza e cortar gastos públicos. ‘‘Isto não é cortar investimentos, mas cortar custos e reduzir a máquina, acabar com essa hierarquia pesada que onera o Estado’’, disse.

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