Cerca de duas mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), estiveram na Esplanada dos Ministérios para assistir à posse do presidente Fernando Henrique Cardoso. A concentração na Praça dos Três Poderes não reuniu mais que 1.500 pessoas, enquanto no Congresso estavam em torno de 500 pessoas. A chuva que caiu durante a tarde em Brasília e o fato de o presidente ter sido reeleito afastou o público, segundo o comandante do Policiamento da posse, major Evaluízio Rathge Rangel, que dispensou 600 dos 1.100 PMs que estavam trabalhando na Esplanada dos Ministérios.
Mesmo assim, algumas pessoas viajaram a Brasília especialmente para assistir à cerimônia, como a família Gusmão, que trocou a queima de fogos no Rio de Janeiro pela posse. ‘‘Os fogos a gente vê todo ano, mas a posse é uma vez a cada quatro anos’’, justificou Celso Gusmão, que chegou à cidade quarta-feira com a mulher Maria, o filho Luiz Henrique e a amiga Mirna. Todos usavam adesivos e bandeiras da campanha do presidente.
Alzemir Rodrigues, candidata derrotada a deputada federal na Paraíba, colocou seu único vestido longo para ver a posse, mas ficou do lado de fora do Congresso, por onde Fernando Henrique acenou para o público que se concentrava em frente ao Ministério da Justiça.
O coordenador pedagógico Orestes Aloísio Romano, de 47 anos, não conteve as lágrimas diante do gesto do presidente. Afinal, Romano foi o primeiro a aplaudir Fernando Henrique na saída do Congresso, dando início a uma tímida salva de palmas do público.
Para o ambulante Marco Antônio da Silva, de 42 anos, o público reduzido significou menos dinheiro no bolso: ‘‘Na primeira posse de Fernando Henrique veio gente de todo o Brasil e vendi tudo’’, contou ele, que no fim da tarde ainda não havia vendido nem metade das cocadas que carregava. ‘‘Este ano perdeu a graça, porque todo mundo já viu como o presidente governa e não tinha novidade.’’ O mesmo aconteceu com o servente do Ministério da Ciência e Tecnologia, Valdirez Soares de Oliveira, que vendeu apenas 36 das 200 latas de cerveja e refrigerante que tinha em uma caixa de isopor.
Mas o ambulante Luiz Vidal, de 45 anos, ficou revoltado mesmo com a distribuição gratuita de sanduíches e sucos pelo governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, em sua cerimônia de posse. ‘‘Se liberam o lanche, aí não tem jeito de vender nada’’, reclamou ele, eleitor de Roriz. ‘‘Em posse de governador não se pode dar nada, caso contrário atrapalha a vida dos ambulantes.’’ O vendedor de água mineral Adevaldo Souza Silva, de 47 anos, ficou preocupado com o futuro: ‘‘Se a moda pega, vou partir para outro negócio’’, afirmou.
A posse mais concorrida, segundo a PM, foi do ex-presidente Fernando Collor de Mello, da qual participaram mais de 40 mil pessoas. ‘‘Essa é muito fraca’’, diz o aposentado Daniel Cavalcanti, de 60 anos, que assiste a esse tipo de cerimônia desde Jânio Quadros.

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