População bloqueia prefeitura
Agricultores, comerciantes e populares bloquearam ontem, desde as 6h30, o prédio da Prefeitura do Município de Arapuã - 160 km ao sul de Apucarana. Cerca de trezentas pessoas, usaram caminhões, tratores e utilitários no bloqueio, fixando ainda faixas e cartazes de protesto nos veículos. Eles cobraram mais agilidade da polícia e da justiça, visando apurar e punir os responsáveis pela morte do prefeito Hélio Mathias (PMDB), ocorrida em abril de 97, em Arapongas.
O objetivo do bloqueio também era o de impedir a entrada do prefeito José Pereira da Silva (PFL) - o Zé Tarugueiro - no prédio. Para os manifestantes, ele está envolvido com a morte de Mathias que, conforme já apurou a polícia, foi executado por três pistoleiros de aluguel. A partir do assassinato do titular, Zé Tarugueiro, então vice-prefeito, ficou com o cargo.
A cobrança popular em torno do homicídio, que já era frequente, cresceu depois que a justiça decretou a prisão provisória de quatro pessoas, que seriam responsáveis pela contratação dos pistoleiros que mataram o então prefeito.
Um clima de revolta e tensão tomou conta de Arapuã (ex-distrito de Ivaiporã) principalmente porque, entre os acusados de ser os mandantes do crime, estão um irmão e dois primos do atual prefeito, José Pereira da Silva.
Bloqueio Durante o bloqueio, líderes do movimento justificaram que, enquanto não ficar devidamente esclarecido o envolvimento do atual prefeito com o crime, ele não deveria mais entrar no prédio e sequer exercer o cargo, considerando que não teria legitimidade para isso. Nós não queremos que ele use o cargo e dinheiro público para fazer sua defesa e de seus parentes, argumentou o agricultor Silvio Kurten.
Outras pessoas, como Altamiro Esser, argumentaram que é preciso acabar com o clima de terror instalado na cidade, desde a morte de Mathias. Eu e mais 8 pessoas, incluindo o ex-pároco Eugênio Cereja, já fomos vítimas de ameaças e perseguições de pessoas ligadas ao novo poder instalado na cidade, afirmou.
A agricultora Verônica Wesseler também participou do protesto. Estamos aqui para cobrar justiça e acabar com essa máfia que controla Arapuã, disse ela, acrescentando que quatro filhos seus foram demitidos da prefeitura por que sua família é amiga dos Mathias e luta para que se faça justiça.
Apesar de muita insistência e diálogo, o capitão José Aparecido Xavier, comandante da 2ª Companhia da PM de Ivaiporã, não conseguiu até o final da tarde, convencer os manifestantes a encerrarem o bloqueio. Segundo ele, o ato caracteriza cerceamento de atividade de um poder constituído. Diante da negativa, restou ao oficial manter um efetivo de 8 policiais para proteger o patrimônio público.Odair StralliottiAto falhoMáquinas dos agricultores foram usadas no bloqueio: impididoMaurício Borges





