A revolta contra o prefeito de Arapuã - 130 km ao sul de Apucarana -, José Pereira da Silva, o ‘‘Zé Tarugueiro’’ (PFL), levou a população a se organizar ontem, para bloquear o prédio da prefeitura, pela segunda vez em 90 dias. A população cobra mais rigor do Judiciário e do Ministério Público, para que Tarugueiro seja afastado do cargo e até cassado. Manifestantes afirmam que pretendem impedir, por tempo indeterminado, que o prefeito entre no prédio.
O bloqueio iniciado ontem é idêntico ao que aconteceu em setembro, quando agricultores, comerciantes e populares utilizaram caminhões, máquinas e veículos para barrar o acesso à porta principal da prefeitura. Na época, eles também protestavam e queriam o afastamento do prefeito que, na conclusão do inquérito policial - instaurado para apurar a morte do ex-prefeito Hélio Mathias -, fora indiciado como um dos principais envolvidos no crime.
Agora pesa contra o prefeito, também a acusação de ter forjado notas de empresas ‘‘fantasmas’’, ou que já encerraram atividades, para desviar recursos públicos. Um dossiê contendo as notas ‘‘frias’’, foi apresentado terça-feira na Câmara de Arapuã, mas a denúncia não chegou a ser votada por falta de quórum. A manobra foi articulada pelo próprio Tarugueiro, que viajou para Curitiba, em companhia de 3 vereadores.
Na mesma sessão, seria discutida a cópia da denúncia formulada há 15 dias, pelo promotor Dennis Pestana, da Comarca de Arapongas, em relação ao assassinato do ex-prefeito. No documento do Ministério público o atual prefeito José Pereira da Silva é denunciando como mandante do crime, juntamente com seu pai, um irmão e dois primos.
Na época do crime, em abril de 97, Tarugueiro era o vice de Hélio Mathias, que foi executado por dois pistoleiros, em Arapongas, quando saía de uma concessionária de automóveis.
Apesar de todas acusações e evidências contra Tarugueiro, ele ainda consegue manter 4 vereadores ao seu lado, impedindo que as denúncias contra ele prosperem no legislativo. Tal situação levou uma comissão de 5 vereadores e 7 lideranças comunitárias de Arapuã a se reunirem ontem com a promotora de justiça Révia Tavares, da Comarca de Ivaiporã.
No encontro a promotora orientou vereadores e eleitores de Arapuã, a remeterem uma cópia da nova denúncia de irregularidades administrativas, feita contra o prefeito, ao Ministério Público. Segundo ela, o caminho mais adequado seriam os instrumentos dos quais dispõe a Câmara de Arapuã, ‘‘mas se não houver quórum para votar a matéria, a alternativa é recorrer ao Ministério Público’’.

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