O especialista contratrado pela Pesquisa Folha, consultor Alexandre do Espírito Santo, detalhou ontem que o ponto médio – a grande novidade implementada pelo jornal na divulgação de pesquisas – representa o equilíbrio entre dois valores: levantamento espontâneo e estimulado. O ponto médio, explicou ele, é usado em estatísticas e levantamentos feitos em pesquisas de mercado. ‘‘É um cálculo simples, uma média entre dois valores que têm mesma unidade. O objetivo é clarear mais a intenção do eleitor, mostrando quem está na frente’’, afirmou ele. ‘‘É uma prática comum em estratégia de marketing’’, afirmou ele.
Levantamento estimulado Na pesquisa estimulada, informa o professor, o pesquisador apresenta um disco contendo a relação dos candidatos. O disco é utilizado para que não haja uma ordem na listagem apresentada ao pesquisado, o que poderia influenciar a escolha. ‘‘O voto estimulado é sempre superior ao número apurado na pesquisa espontânea’’, informa Espírito Santo.
A explicação está ligada ao fato do eleitor ter memória associativa. ‘‘É como se perguntássemos a alguém qual foi o último filme que assistiu. Mas se mostrarmos uma relação fica muito mais fácil.’’
Levantamento espontâneo Apurar qual o nome mais marcante na cabeça do eleitor. Assim pode ser definida a pesquisa espontânea, onde o entrevistador chega para o entrevistado e pergunta em quem ele pretende votar em 1º de outubro. ‘‘Exige memória, e como o grosso da população não está informado com detalhes sobre política, leva vantagem quem está mais presente.’’ A explicação para o atual prefeito aparecer bem no levantamento espontâneo pode ser reflexo de sua imagem estar constantemente na mídia. ‘‘O eleitor sem dúvida tem uma memória visual e auditiva.’’
Sobre a diferença que a Pesquisa Folha possa vir a ter com outros levantamentos que estão sendo divulgados, de outros institutos, o consultor afirma que de modo geral os números batem. ‘‘As diferenças se referem a números da amostragem. São entrevistados diferentes, levantamentos feitos em locais que não são os mesmos’’, afirma ele. Segundo avaliou, estas diferenças acabam influenciando o resultado final.
Sobre o pessoal que vai a campo coletar as informações diretamente com o eleitor, o consultor afirmou que são 10 pessoas altamente selecionadas e que foram treinadas para realizar as consultas. O consultor Alexandre do Espírito Santo é Ph.D. em pesquisa de comportamento pela Universidade de Wisconsin (EUA).
Atuando há mais de 30 anos na área, o consultor também é autor de livros sobre o assunto: ‘‘Delineamentos de Metodologia Científica (Editora Loyola) e ‘‘Essências de metodologia Científica’’ (UEL). O consultor se prepara agora para lançar um novo livro ‘‘Vade Mecum da Metodologia de Pesquisa Científica’’, já concluído e pronto para ser publicado.

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