Ponta Grossa pode se manter na oposição
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de julho de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Com mais de 180 mil eleitores o quarto colégio eleitoral do Paraná Ponta Grossa pode eleger um prefeito de oposição ao governo do Estado no próximo dia 1º de outubro. Os dois principais candidatos, o atual prefeito Jocelito Canto (PSDB) e o deputado estadual Péricles de Holleben Mello (PT) são ferrenhos adversários políticos do governador Jaime Lerner (PFL). Outros quatro candidatos vão disputar o pleito, mas nenhum com o apelo eleitoral suficiente para evitar a polarização da disputa entre Jocelito e Péricles. Ninguém quer o apoio do governador por aqui, ataca Jocelito.
Na inauguração de uma fábrica de pneus na cidade no ano passado, Lerner e Jocelito travaram um ríspido diálogo, quando não faltou troca de palavrões e críticas. Interlocutores de ambas as partes tentaram, sem sucesso, uma reaproximação entre os dois. Ele (Lerner) está mal por aqui. A única parcela boa de contribuição foi no processo de industrialização de Ponta Grossa. Mas ele faltou com a cidade que mais lhe deu votos, não fazendo estradas e nem ajudando na área da saúde, reclama Jocelito.
O prefeito chegou a pagar uma campanha publicitária em Curitiba, com outdoors, cobrando de Lerner repasses de recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU). Investigado pelo Ministério Público por eventuais irregularidades cometidas durante sua gestão, Jocelito afirma que não está preocupado se a oposição utilizar estas denúncias na campanha eleitoral. Nada foi julgado pela Justiça. Vou ser julgado pelas milhares de obras que realizei nos últimos três anos e meio. As pessoas estão observando que eles (a oposição) estão usando estas denúncias para tentar denegrir minha imagem e acredito na minha vitória pelo reconhecimento do povo, aposta.
Ao se referir aos outros candidatos, principalmente o vice de Péricles o médico e vereador Ricardo Mussi (PMDB) Jocelito afirma que o governo dele fez tão bem, que até as elites estremeceram. O candidato a vice-prefeito da coligação PL, PSD, PC do B, PTN, PPB, PRTB e PRP é o líder do PSDB na Câmara Municipal, Roberto Mongruel.
Péricles, que ficou em segundo lugar na eleição vencida pelo atual prefeito, admite que a aliança muito forte com o PMDB trará uma rejeição bem menor à sua candidatura. O deputado se considera mais maduro para esta disputa. Péricles firmou coligação entre PDT, PHS, PMDB e PT válida somente para a eleição majoritária. Os quatro partidos vão lançar candidatos a vereador separadamente.
Na opinião de Péricles, a investigação do MP sobre Jocelito pode facilitar a campanha. Foi uma administração muito instável, com a troca de mais de 50 secretários municipais. Mas vamos fazer uma campanha propositiva, apresentando projetos para resgatar o papel comunitário da prefeitura. Ponta Grossa tem mais de 30 mil pessoas vivendo em favelas, e essa exclusão social não pode mais continuar, destacou. Nos bastidores da política da cidade existem comentários dando conta de que uma manifestação favorável de Lerner para qualquer candidato praticamente selaria a vitória do petista.
Os outros partidos de oposição a Jocelito acabaram escolhendo candidatos sem muito apelo eleitoral. A aliança PFL, PTB, PMN e PSL escolheu o advogado e empresário Carlos Tavarnaro (PTB), enquanto o PFL indicou o candidato a vice a professora Elizabete Schimidt. O PPS formalizou a candidatura de Wagner Menezes, com Lauro Padilha candidato a vice-prefeito.
A opção pela candidatura própria também foi seguida pelo PSC e o PRN. José Penkoski e Mário Naldony, são os candidatos, respectivamente, a prefeito e vice pelo PSL. Pelo PRN vão disputar a eleição municipal Rogério Carneiro (para prefeito) e João Alcione Sobrinho (candidato a vice).


