Ponta Grossa cria movimento
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quarta-feira, 24 de maio de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Seguindo o exemplo das entidades civis organizadas de Londrina, mais de 40 associações de classe, entidades assistenciais, a Igreja Católica e a Igreja Presbiteriana do Brasil criaram o Fórum da Moralidade, Ética e Cidadania, que vai acompanhar as denúncias de envolvimento de autoridades de Ponta Grossa com o crime organizado. O bispo diocesano Dom João Braz de Aviz foi escolhido o coordenador do Fórum. Nosso grupo é suprapartidário e não nasceu com a finalidade de acompanhar somente as denúncias que envolvem o prefeito Jocelito Canto (denunciado ao Ministério Público por irregularidades na administração municipal). A corrupção não está só em Ponta Grossa, justificou Dom João.
A primeira reunião do Fórum, para definir os coordenadores do grupo, teve a participação de mais de 300 pessos, informou o bispo. Ficamos surpresos com a sensibilidade da população em participar do Fórum. Aceitamos a coordenação do grupo atendendo ao pedido das entidades e associações e porque a Igreja vai ter uma presença cidadã, argumentou. Ele considera importante a participação de outras correntes da igreja católica e também dos evangélicos no Fórum. Por enquanto, somente e Igreja Presbiteriana do Brasil, representada pelo pastor Acir Ricle, participa do grupo. A Folha tentou falar com o pastor, mas ele estava viajando.
Não há mais como separar o trabalho social, político e ecumênico que as igrejas de diferentes correntes teológicas estão realizando, salientou o bispo de Ponta Grossa. Ontem à noite seria realizada a primeira reunião de trabalho do Fórum. Dom João informou que seriam discutidas a elaboração de um dossiê para reunir todas as denúncias contra autoridades juízes, promotores, vereadores ou o prefeito , a utilização de uma página na Internet para divulgar o movimento e receber mais denúncias, e como o Fórum vai acompanhar os casos de crimes impunes em Ponta Grossa. O bispo da cidade disse que também seriam discutidos os critérios para analisar as denúncias que deverão constar do dossiê, que será encaminhado ao Ministério Público.


