Pont crê na recuperação de Lula e do PT
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segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Ainda há tempo para mudar os rumos do governo e recuperar a credibilidade do Partido dos Trabalhadores, nestes 16 meses que restam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é do deputado estadual Raul Pont (PT-RS), um dos sete candidatos à presidência do diretório nacional do PT, que esteve ontem em Londrina. Para Pont, essa guinada na crise depende de uma modificação radical nas relações entre o partido e o presidente. ''Queremos que Lula nos ouça'', reivindicou, em entrevista à Folha.
O deputado gaúcho e ex-prefeito de Porto Alegre concorre pela tendência Democracia Socialista (DS) no Processo de Eleições Diretas (PED) do PT, marcado para o dia 18 de setembro. Pont está confiante numa vitória alavancada pela decepção dos 830 mil filiados com o Campo Majoritário (que comanda o PT nacional), frente às denúncias que continuam inundando a mídia. ''Estamos sentindo nos debates que já realizamos que há um sentimento muito forte de repulsa, de recusa dos filiados àquilo que a maioria vem fazendo com o partido. Isso é fundamental para podermos realizar um outro tipo de governo.''
Na opinião do candidato, o PT tem pela frente ''um trabalho hercúleo para recuperar a credibilidade'', mas Lula tem chances de se manter no páreo das eleições do ano que vem. ''A eleição no Brasil é muito personalista, individualizada. O desgaste maior dessa crise recaiu sobre o partido. Lula ainda goza de grande prestígio'', avaliou. ''Acho que vamos pagar um preço alto no ano que vem por esses acontecimentos, mas também temos que jogar na opinião pública essa trajetória de 25 anos que tivemos, onde deixamos uma marca muito forte'', destacou.
Pont enumerou alguns ''acertos'' do atual governo nas políticas externa, assistencial, agrária e energética , mas foi bastante crítico em sua avaliação geral. ''Como podemos ser um partido de esquerda sem garantir uma real participação popular no governo, mantendo a taxa de juros em 19,75%, praticando clientelismo no Congresso? Se continuarmos assim, perderemos as eleições. Mas se fizermos alterações sensíveis ainda que atrasadas na política econômica, por exemplo, poderemos alcançar a curto prazo um novo patamar de investimentos produtivos'', alertou.
O deputado sustentou ainda que as correntes minoritárias do PT nunca concordaram com os rumos que o governo Lula tomou, mas foram subordinados a ''sempre dizer amém''. ''O (ex-presidente do PT) José Genoino estabeleceu uma relação quase de 'corrente de transmissão' do governo sobre o partido. Queremos mudar isso'', concluiu.


