Belinati, Richa, Hauly e Canziani. Os quatro sobrenomes são velhos conhecidos dos eleitores londrinenses e já foram testados diversas vezes pelas urnas e acumulam vitórias, além de milhas na política local e estadual. É com o peso dessa trajetória que Guilherme, Marcello, Luiz e Luísa pretendem ocupar pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa ou no Congresso. Três deles estreiam numa disputa nas urnas.

Guilherme Belinati (PP) é neto de Antonio Belinati, que foi três vezes prefeito de Londrina e teve o mandato cassado em 2000, e também é primo do atual chefe do Executivo londrinense, Marcelo Belinati (PP). Gui (apelido nas urnas) já passou no primeiro teste ao ser eleito vereador em 2016. Agora, tentará uma cadeira na AL (Assembleia Legislativa).

Estreante nas urnas, Marcello Richa (PSDB), 32 anos, filho do ex-governador tucano Beto Richa, disputará uma cadeira também no Legislativo Estadual. Na vida pública, ocupou o cargo de secretario municipal de Esporte e Lazer em Curitiba até abril.

A mais nova e estreante que também carrega um sobrenome de peso é Luísa Canziani, 22 anos, que logo de cara tem planos mais ambiciosos: ocupar a cadeira do pai na Câmara de Deputados. Isto porque o deputado federal Alex Canziani pretende disputar o Senado, numa dobradinha com o ex-governador.

Já Luiz Hauly Filho (PSDB), filho do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), é o único testado nas urnas em 2014 e tenta pela segunda vez seguir os passos do pai. E, para isso, pretende concorrer ao cargo de deputado estadual.

Oligarquias
Segundo o cientista político e sociólogo Sérgio Abranches, este fenômeno eleitoral ocorre em todo o território e não é novo no Brasil. "É a oligarquização da política e a criação de dinastias familiares que vão se perpetuando no poder."
Para o professor da UFPR (Universidade Federal da Paraná ) e doutor em sociologia Ricardo Costa de Oliveira, o modelo não é exclusivo do Executivo e Legislativo. "O Estado brasileiro ainda é pré-moderno e vemos famílias atravessando todas as instituições como o Judiciário, o Tribunal de Contas, e alguns estados dominam até a mídia."

Vantagens
Para Oliveira, candidatos que têm sobrenome de peso saem em vantagem dos demais porque seus 'padrinhos' têm acesso ao orçamento. "Reproduzindo fórmulas de clientelismo, fisiologismo, controle da máquina pública e função de uma sociedade que é desigual e pobre."

O cientista político Sergio Abranches ainda vê mais chances desse modelo se perpetuar com a reforma política que implantou o fundo partidário. A ferramenta poderá ser mais uma para que os mesmos nomes e sobrenomes permaneçam no poder. "Praticamente o bolo todo vai para os seis ou sete partidos. Eles criam essas regras para se perpetuar e chamam isso de reforma política."

Abranches acredita que a verdadeira renovação poderá vir de novas formas de financiamento de campanha para os candidatos que conseguirem acessar recursos não tradicionais, como financiamento coletivo (crowfunding) e a boa utilização das redes sociais.

Veja nesta página o que dois dos quatro pré-candidatos falam sobre suas candidaturas. Guilherme Belinati e Marcello Richa não retornaram a solicitação de entrevista.

Imagem ilustrativa da imagem Políticos tentam emplacar sucessores na AL e no Congresso



Luísa Canziani, 22 anos – PTB
formanda em direito

MOTIVO?
"É questão natural, eu cresci na política. Essa vontade corre nas minhas veias. Eu queria ser candidata a vereadora há dois anos e por questão de conjuntura do partido resolvi esperar. Ainda porque não era formada. Agora concluí o curso de Direito e estou finalizando exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)"

BANDEIRAS?
Acredito que na política é preciso ter propostas e foco, além de uma bandeira para representar. Eu defendo a força da juventude, o municipalismo e investimento na educação básica. O primeiro contato com a escola, uma formação de qualidade é que define o futuro do nosso cidadão. Também precisamos investir numa verdadeira reforma política e na descentralização do Poder.

SOBRENOME?
Eu tenho maior orgulho da trajetória política do meu pai, que foi vereador por dois mandatos e está na Congresso por cinco mandatos consecutivos com uma história limpa. Eu acredito que a renovação precisa vir de diversas formas, não só de famílias tradicionais. Infelizmente, essa última reforma política com o fundo partidário dificilmente vai proporcionar uma renovação ampla na política.

Imagem ilustrativa da imagem Políticos tentam emplacar sucessores na AL e no Congresso
| Foto: Divulgação



Luiz Hauly Filho, 28 – PSDB
advogado e economista

MOTIVO?
É preciso mudar o rumo da nossa história e para mudar é preciso oxigenar a política, não somente mudar por mudar. A mudança tem que partir de pessoas preparadas e qualificadas. Sou economista e advogado e em meus trabalhos de conclusão de curso defendo a área de empreendedorismo. E executei isso em algumas empresas e na Fomento Paraná (Instituição financeira de economia mista). Só com a política e a experiencia conseguimos mudar a realidade.

BANDEIRAS?
Pretendo trabalhar no incentivo às micros e pequenas empresas e para que o tema vire disciplina nos ensinos médio e fundamental. Meu foco é na geração de emprego e renda. Melhorando ambiente de negócios no setor privado você consequentemente colabora para arrecadação para o andamento do setor público nos projetos que beneficiam toda a população.

SOBRENOME?
Há senso comum que rotula alguém com sobrenome político como algo pejorativo. Eu vejo como uma contradição. Em outros países, como Estados Unidos, não existe essa preocupação. Se a pessoa é competente, se prepara para isso e tem boas propostas, não há o que temer. Além do mais, eu tenho orgulho do meu pai, que tem 45 anos de historia política sem processos.

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