Curitiba – A defesa do presidente da UTC Engenharia, Ricardo Ribeiro Pessoa, preso na Operação Lava Jato e que estaria em processo de fechamento de um acordo de delação premiada com a força tarefa do Ministério Público Federal (MPF), arrolou oito políticos como testemunhas de defesa dentro de seu processo que tramita na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Entre os nomes estão o do paranaense e ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo; o ex-governador da Bahia e atual ministro da Defesa, Jacques Wagner (PT).
Além deles também aparecem como testemunhas de defesas do executivo os deputados federais Arlingo Chinaglia (PT-SP), candidato à presidência da Câmara; Paulinho da Força (SD-SP); Jutaly Magalhães Junior (PSDB-BA); Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) e Arnaldo Calil Pereira Jardim (PPS-SP). Também foi convocado pelos advogados de Pessoa o atual secretário de Saúde de São Paulo, José de Filippe Jr., que foi ex-tesoureiro da campanha de 2006 de Luiz Inácio Lula da Silva, e da campanha de 2010 da presidente Dilma Rousseff.
Pessoa é réu em duas ações penais que tramitam na Justiça pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, fraudes em licitações públicas e ocultação de bens, e segue preso na carceragem da Superintendência da PF, em Curitiba. A UTC, empresa do investigado, conforme o MPF, "é parte de um esquema de corrupção que envolvia, diversas empreiteiras do País, que celebravam contratos superfaturados com a Petrobras". Os investigadores, inclusive, apontam Ricardo como "cabeça" de todo este esquema e chefe do cartel de empreiteiras.
No mesmo documento em que apresenta o rol de testemunhas, os defensores negam que o executivo tenha cometido crime de lavagem de dinheiro e afirmam que a denúncia de corrupção é "genérica" e "insuficiente". Os advogados ainda argumentam ter havido cerceamento da defesa no processo judicial devido ao fato de "a Justiça não ter disponibilizado os depoimentos das delações premiadas da Operação Lava Jato".
Outras 14 pessoas ainda foram convocadas como testemunhas de defesa, entre elas Robson Braga de Andrade, reeleito para o cargo de presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI); além de outros executivos. A defesa preliminar apresentada à Justiça Federal do Paraná é assinada pelo advogado Alberto Zacharias Torón e seus auxiliares.

OUTROS RÉUS
Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, que tinha arrolado a presidente Dilma como testemunha e que, logo em seguida desistiu, e Fernando Antonio Soares, o "Baiano", convocaram o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli como testemunha de defesa. Já os três executivos da Camargo Corrêa (Eduardo Ermelindo Leite, Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler), arrolaram, na sua maioria, funcionários da própria empreiteira.
As audiências dos processos em que os executivos são réus começam na próxima semana. Primeiramente, serão ouvidas as testemunhas de acusação convocadas pelo MPF e, em seguida, serão marcadas as oitivas com as testemunhas de defesa de cada um dos envolvidos. A expectativa é de que os oito políticos arrolados pela defesa de Ricardo Ribeiro Pessoa, por exemplo, sejam ouvidas ainda em fevereiro.

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