Políticos querem salvar Maluf e Pitta
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terça-feira, 15 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Um arranjo político está sendo montado por algumas lideranças políticas do Senado para retirar do relatório final do senador Roberto Requião (PMDB-PR) nomes de políticos e amenizar os crimes cometidos por governadores e prefeitos, envolvidos nas emissões fraudulentas de títulos para pagar precatórios. A luta principal é para retirar do relatório o crime por formação de quadrilha. A estratégia desses líderes é tentar votar o relatório aos pedaços. Ou seja, votar destaques com emendas supressivas ou aditiva sobre cada parte do texto.
O único político que assume abertamente a luta contra o relatório de Roberto Requião é o líder do PPB, senador Epitácio Cafeteira (MA). Do jeito que ele está, não passa, sentenciou. Muitos senadores vieram me dizer a mesma coisa, acrescentou. A revolta principal do líder do PPB é pela inclusão de Paulo Maluf na relatório como co-responsável pelos atos do ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo e atual prefeito Celso Pitta.
O relatório também acusa Maluf por ato de prevaricação, pois diante da denúncia de que Celso Pitta tinha provocado prejuízo aos cofres do municípios, em uma operação com títulos, o ex-prefeito não abriu uma investigação para apurar a procedência dos fatos, mas, ao contrário, apoiou versões que não expressavam a realidade.
Epitácio Cafeteira acha que a acusação feita por Roberto Requião a Paulo Maluf foi incluída no relatório depois que o jurista Saulo Ramos, em parecer sobre o relatório parcial da CPI a respeito das emissões da Prefeitura de São Paulo, acusou o relator de ser racista. Requião disse inicialmente que não existiam provas materiais contra Maluf e agora diz o contrário, afirmou Cafeteira. Isso é vendetta, é vingança.
O líder do PPB ameaçou, inclusive, substituir o senador Esperidião Amin (PPB-SC) como integrante da CPI se o seu voto não refletir a posição do partido. O voto do Amin tem que ser o voto do PPB, disse Cafeteira. A ameaça feita pelo líder do PPB pegou de surpresa Esperidião Amin. Cafeteira não falou comigo, reagiu. Só posso dizer que vou assumir sempre o que mandar a minha consciência e o resto é especulação, acrescentou.
O relatório final será lido hoje no plenário da CPI, mas já está acertado pelas lideranças um pedido conjunto de vistas no documento. Com isso, a votação do texto ficará, na melhor das hipóteses, para a próxima semana.
O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), deixou claro ontem que não aceita a votação em bloco do relatório. Não aceito esse critério de dizer sim ou não à íntegra do relatório, afirmou. A minha amizade ao Requião não me impõe solidariedade incondicional, disse. O líder do PMDB negou que esteja reunindo a bancada para tomar uma posição conjunta sobre a matéria.
Na opinião de Jáder Barbalho, o relatório poderá ser emendado durante a discussão e votação no plenário da CPI. Esse entendimento é contrário ao do relator Roberto Requião. Não estou apresentando uma proposta, mas um relatório sobre uma investigação, que não pode ser emendado, afirmou o relator da CPI. Do ponto de vista regimental, Roberto Requião está com a razão. Se ele não acolher as sugestões que serão apresentadas pelos outros senadores, o seu relatório terá que ir a votação e, se rejeitado, será indicado novo relator para preparar o novo texto.
Na avaliação feita ontem por vários senadores, a votação do relatório final de Roberto Requião terminaria empatada em 6 votos a 6. Votariam com o relator, de acordo com essa avaliação, os senadores Vilson Kleinubing (PFL-SC), Emília Fernandes (PPB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP), José Serra (PSDB-SP) e Romeu Tuma (PFL-SP). Contra o relatório, votariam os senadores Jáder Barbalho (PMDB-PA), José Agripino Maia (PFL-RN), Casildo Maldaner (PMDB-SC), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Gilberto Miranda (PFL-AM) e o eventual substituto de Esperidião Amin. Com o empate, o presidente em exercício Geraldo Mello (PSDB-RN) teria que decidir.


