Curitiba - Depois que a Câmara dos Deputados deu o primeiro passo para o fim da verticalização (regra que obriga os partidos a seguirem nos estados as mesmas coligações feitas em nível nacional), o cenário político no Paraná para as eleições deste ano começa a se desenhar com mais nitidez. Apesar de o único candidato confirmado para a disputa ao governo do Estado ser o governador Roberto Requião (PDMB), conforme a executiva do partido, o nome do senador Osmar Dias (PDT) já aparece com mais clareza como seu principal opositor. O fim da verticalização anima os opositores de Requião, já que assim é possível formar um bloco mais forte para disputar o cargo de governador com o PMDB.
''Já estávamos conversando sobre uma possível aliança entre o PSDB, PDT, PFL, PSB e PP. Agora vamos retomar as negociações. Com isso, certamente vamos formar uma grande frente para a disputa'', disse o presidente do PSDB, deputado estadual Valdir Rossoni. Este é o mesmo argumento do presidente do PFL, deputado federal Abelardo Lupion. Porém, diferente de Rossoni, o pefelista é mais direto quando se trata de nomes. ''Estamos conversando com o Osmar Dias. Este é o nome que soa bem entre a executiva e estamos autorizados a conversar sobre ele'', afirmou, descartando a possibilidade de uma coligação em torno do nome do senador Álvaro Dias (PSDB).
O consenso pelo nome de Osmar Dias parece já estar fechado até entre os dois irmãos. Apesar de ter manifestado ano passado sua vontade de voltar ao Palácio Iguaçu, Álvaro Dias afirmou ontem que seu desejo mesmo é continuar no Senado. ''Estou focado nesta hipótese. Estou gostando de fazer política nacional.'' Já Osmar Dias foi mais cauteloso ao falar da decisão da Câmara. Segundo ele, isto é apenas mais um fator que pode culminar na sua candidatura. ''As pessoas têm muita pressa. Agora se abriu a possibilidade retomarmos as conversas'', disse. Para Osmar, as coisas ainda podem mudar. ''Em 1998 o Álvaro Dias era candidato ao governo do Estado até 30 de junho (dia das prévias do partido) e acabou saindo para o Senado'', exemplificou.
Mesmo com a possibilidade de a oposição formar um bloco forte, o PDMB não se intimida. ''A verticalização melhora para nós também. Ela nos favorece para fazer mais alianças'', afirmou o presidente do PMDB, deputado estadual Dobrandino da Silva. ''E de qualquer maneira temos mais poder e fogo'', provocou o deputado. Caso a mudança na regra se confirme, Dobrandino acredita que depois do Carnaval comecem as articulações do partido. O presidente do PMDB só não se mostrou muito animado com uma possível coligação com o PT. ''As conversas com o PT estão paradas. O que ouvimos é que eles vão ter candidato próprio. Mas podemos continuar conversando ainda'', finalizou.
O fim da verticalização foi votado e aprovado, com 343 votos a favor, em primeira sessão na Câmara dos Deputados na última quarta-feira. Apenas alguns membros do PT e do PSDB, que têm como prioridade a Presidência da República e por isso querem palanques fortes nos estados, votaram contra. Na próxima semana o fim da regra, que está em vigor desde 2002, será votado em segunda sessão. Alguns especialistas alegam que juridicamente não é possível acabar com a verticalização porque o artigo 16 da Constituição Federal permite mudanças nas regras da disputa eleitoral no máximo um ano antes do pleito. Portanto, a questão ainda pode ir para a Justiça (leia nesta página).

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