Curitiba - A popularização da internet tem garantido uma ferramenta cada vez mais presente nos comitês de campanha. Sites de candidatos e partidos, blogs e agora até o Orkut, o site de relacionamentos que virou febre mundial, servem como tática para angariar votos por todo o País.
O Paraná não é exceção. Nas últimas campanhas, os candidatos se apoiaram nas ferramentas eletrônicas para fortalecer o palanque. Na campanha de 2004, pela Prefeitura de Curitiba, o então candidato Beto Richa (PSDB), vice do ex-prefeito Cassio Taniguchi (PFL), mantinha um blog da campanha, basicamente com comentários sobre a agenda do dia e notícias.
Segundo Nani Marcos, da assessoria do atual prefeito, o uso da internet tem retorno garantido. ''O objetivo é a aproximação com o eleitor. E o uso da internet permite essa interação. Recebemos e-mails com críticas, sugestões, opiniões, pedidos para arrumar esta ou aquela rua, tudo em tempo real. Podemos medir, na hora, como o eleitor está recebendo determinada postura ou opinião do candidato'', explicou ela.
O uso de páginas pessoais e blogs visa um público específico: basicamente, o eleitor jovem, que ainda está formando sua opinião e despertando para a política.
Mas além de ser uma estratégia na caça aos votos, a internet pode funcionar como arma para ataques ''abaixo da linha da cintura''. Por isso, o eleitor precisa ficar atento. Não são raros e-mails com endereços ''frios'' circulando com dossiês secretos sobre candidatos, e as informações, com o objetivo de prejudicar determinado político, podem não ser verdadeiras ou exatas.
O uso da internet como meio de ataque aos adversários pode gerar crimes contra a honra - as penas incluem multa e detenção. Segundo o delegado Demetrius Gonzaga de Oliveira, do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), em Curitiba, a apresentação da queixa nesses casos precisa ser rápida e bem documentada, pois as eventuais ofensas podem ser tiradas do ar rapidamente.
Para poder abrir inquérito, o delegado explica que, em caso de crimes contra a honra, é necessária uma representação, com provas, por parte do ofendido. Além disso, seria impossível que o núcleo monitorasse todos os sites dos candidatos, em busca de eventuais crimes. E, mesmo que conseguisse, não poderia iniciar a investigação sem uma queixa formal.
Apesar dos problemas gerados com o uso indevido dos recursos da rede, o cientista político e professor universitário Alexsandro Eugênio Pereira, do UnicenP, avalia que a utilização dessas novas ferramentas tem mais vantagens que desvantagens. ''É um recurso adicional para que os candidatos divulguem suas idéias'', diz. O problema é que o alcance é limitado, continua o professor, pois o público que tem acesso à internet é pequeno, se comparado à maioria do eleitorado. Por isso, o impacto não é tão grande, e isso vale tanto na divulgação de informações positivas sobre o candidato como em caso de difamações.

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