Considerada por alguns parlamentares como a solução para estancar a crise vivida atualmente pelo Governo Federal, investigado pelo Congresso, Ministério Público e Polícia Federal, a antecipação das eleições de 2006 parece não ter encontrado coro em parte da bancada paranaense no Legislativo e no Senado. A proposta está sendo levantada pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). O deputado disse que a idéia deve ser incutida em um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) a ser apresentado, provavelmente, esta semana.
As declarações do tucano foram feitas após o depoimento do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Na ocasião, ele respondeu a Hauly que a Executiva Nacional teria, sim, ajudado financeiramente as campanhas de segundo turno do PT em Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Curitiba. ''Se estivéssemos no regime parlamentarista, todo o Parlamento já teria caído com essas denúncias'', acredita o tucano.
O deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Doutor Rosinha, considera que a melhor alternativa para superar a crise é por meio das investigações em andamento. ''Isso sim vai tirar as dúvidas, não antecipação de pleito. Demagogia política e golpismo não adiantam de nada'', rebateu. Sobre a saída do ex-secretário Sílvio Pereira do PT, Rosinha foi taxativo: ''Silvinho já vai tarde, tem que levar outros com ele, como o próprio Delúbio.''
Posição semelhante é o do petebista Alex Canzini, colega de partido do autor das denúncias de mensalão, o também investigado deputado federal Roberto Jefferson. ''Antecipar o processo eleitoral agora é uma medida extrema. Temos que ver o que virá adiante, pois o que há até o momento não justifica esse procedimento'', afirmou Canziani. Por outro lado, o londrinense admitiu que ''já existem conversas sobre renúncia ou impeachment do presidente, mas não sobre novas eleições''.
Na opinião do senador Álvaro Dias (PSDB), a PEC que deve ser proposta por Hauly seria um ''atropelo'' na agenda de trabalho da CPMI, da qual ele faz parte. ''Essa 'faxina' vai longe, provavelmente até o ano que vem. E como o processo eleitoral tem início em junho (com as convenções partidárias), mudá-lo comprometeria a etapa investigativa'', avaliou Dias.

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