Políticos disputam secretarias
Leandro Donatti
O remanejamento do secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira (PFL), para a Casa Civil, anunciado pelo governador Jaime Lerner (PFL) na segunda-feira, desencadeou o período de caça aos cargos entre os aliados. Nenhum secretário ainda oficializou sua pretensão de deixar o governo para concorrer às eleições 98, mas as indicações dos prováveis substitutos já começaram a se esboçar.
Fajardo José Pereira Faria, diretor geral da Secretaria de Segurança, e Rubens Abrahão Tanure, chefe de gabinete da pasta, são os mais cotados para assumir o lugar de Martins de Oliveira. Ambos têm o aval do secretário e estariam no rol das poucas indicações técnicas a serem promovidas.
A recusa do governador em aceitar o diretor administrativo da Itaipu Binacional, Fabiano Braga Cortes (PFL), para a Casa Civil, foi digerida pelo PFL. Um grupo de lideranças do partido encontrou-se anteontem com o governador no Palácio Iguaçu. Liderada pelo presidente do diretório regional, empresário José Carlos Gomes Carvalho, a comitiva deu aval integral à escolha de Martins de Oliveira.
O vice-presidente da Cooperativa de Cascavel (Coopavel), Ibrahim Fayad (PTB), é novamente lembrado. O amigo pessoal do governador teria sua indicação sustentada pelo PTB, que quer fazer o sucessor de Nelson Justus, na Secretaria da Indústria e do Comércio. Fayad só não conseguiu emplacar a Agricultura, por ter sido sugerido pelo ex-secretário Hermas Brandão (PTB) que na época estava em atrito com o governador.
Antoninho Caron (PTB), ex-secretário municipal da Indústria e Comércio de Curitiba; e o empresário de Maringá, Silvio Nami (PSDB), também são colocados como opções políticas para o assentamento dos aliados durante a reforma que pode atingir indiretamente outros setores do governo, como o Banestado. O ex-deputado João Mansur poderia ocupar função no banco.
O nome de Newton Grein (foto) circulava ontem como um nome de confiança da primeira-dama Fani Lerner para a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, ocupada atualmente por Joni Varisco que estaria propenso a concorrer à Câmara Federal. Grein, que não tem o apoio de Varisco, já foi responsável pelo setor durante o governo Mário Pereira (PMDB), de abril a dezembro de 94.
A caça aos cargos travada internamente pelo PTB e PFL não refletiu ainda sobre o governador. Lerner voltou a dizer ontem que vai contemplar as lideranças do interior e os partidos aliados, inclusive PPB, na mini-reforma. Segundo ele, as mudanças só podem ser efetivadas na medida que for recebendo os ofícios dos secretários-candidatos. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), cobrou do governador critérios políticos para as escolhas. A recomposição não tem segredo, tem de ser política, pregou.
Khury disse que o governo não pode perder mais uma chance para fazer as pazes com o PPB, que hoje está dividido entre ser governo e oposição. Já chega o que foi feito na Justiça e na Cultura, onde os critérios políticos foram deixados de lado, constatou. O presidente do PPB, deputado federal José Janene, afirma que, se depender dele, não haverá pleito por cargos.





