Políticos deixam ideologia de lado na troca de siglas
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sábado, 22 de setembro de 2001
Uilson Paiva<br> Agência Estado 
A proximidade do dia 5 de outubro põe em curso uma verdadeira revolução política em todo o País. Motivados pelo prazo, previsto por lei, de filiação para as eleições de 2002, políticos de todas as legendas colocam ideologias e convicções à parte e protagonizam uma ruidosa dança de cadeiras em todos os Estados.
Levantamento da Agência Estado mostra que cerca de um terço (151) dos 513 deputados federais eleitos já haviam trocado pelo menos uma vez de partido, desde janeiro de 1999. Quase metade das mudanças ocorreu neste ano. No Senado, mais de 15% dos 81 senadores já mudaram de sigla.
Entre os Estados, o campeão é Rondônia, onde metade dos 24 deputados estaduais abandonou a sigla pela qual foram eleitos. No Paraná, Acre, Amapá e Maranhão, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, além da Paraíba, mais de um terço dos deputados estaduais adotaram a prática. Em São Paulo, 30% dos 94 deputados estaduais já trocaram de legenda.
As mudanças ganharão ritmo acelerado nesta semana, com a promessa de lances rumorosos. O principal passa pelas negociações envolvendo o PTB e o governador de Santa Catarina, Espiridião Amin, e sua mulher, Ângela, prefeita de Florianópolis. Ambos negam a intenção de sair do PPB, mas demonstram publicamente insatisfação com as acusações de corrupção contra o ex-prefeito Paulo Maluf.
Como consequência do racha, depois das eleições do Senado, o PMDB gaúcho deve sofrer baixas significativas. Ironicamente, há ainda expectativa sobre o destino do senador Sérgio Machado, que deixa o PSDB provavelmente a caminho do PMDB, onde deverá disputar o governo do Ceará.
O recordista nacional, deputado federal João Caldas (AL), mudou de partido sete vezes em pouco mais de dois anos. Seu homônimo carioca, João Mendes, também se destacou. Um dia depois de tomar posse, saiu pela manhã do PMDB e foi para o PPB. À tarde, sem explicações, voltou ao PMDB. De tão frequente, o troca-troca partidário já pode ser considerado como praxe na política nacional.
Em nome da conveniência ou da oportunidade de uma eleição mais fácil, partidos antes minoritários incham, outros encolhem. No Rio, com a ida do governador Anthony Garotinho (que iniciou a vida política no PDT) para o PSB, os socialistas experimentaram o maior crescimento de sua história. De três deputados estaduais eleitos, o partido tem hoje a segunda maior bancada da Assembléia, com 17 integrantes.


