Políticos defendem salários e criticam colegas
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Levantamento feito pela Folha e publicado na edição de ontem mostrou que o salário dos políticos paranaenses pode ser até 70 vezes maior que o de um trabalhador do setor privado. Mas os políticos são unânimes em acreditar que os salários dos parlamentares e chefes do Executivo no Brasil são compatíveis com a função desempenhada. Mas a maioria diz que o problema é que os resultados do mandato nem sempre chegam ao público. E quando chegam, são os maus resultados.
O senador Osmar Dias (PSDB) diz que a imprensa colabora para que a população tenha uma imagem distorcida do que ganha um político e a função por ele desempenhada. ''O salário, se levar em conta a responsabilidade dos políticos e a cobrança da sociedade, é justo. Desde que ele desempenhe com responsabilidade a função pública. Claro que têm aqueles que não merecem ganhar o subsídio pago com o imposto do trabalhador brasileiro'', analisa.
Osmar Dias diz que falta espaço na mídia para que os políticos que produzem, apareçam. ''Estou no Senado há nove anos e tenho dificuldade de ter espaço na mídia nacional. Ficam apenas aparecendo as mesmas figuras carimbadas. Se existe um regime democrático, tem que haver uma legislação que garanta direitos iguais para todos. Tem políticos que trabalham mesmo diariamente, sem direito a feriado. A gente se sacrifica'', pontua.
A opinião é compartilhada pelo deputado federal Florisvaldo ''Rosinha'' Fier (PT). ''O salário é condizente com os padrões internacionais. Para a realidade do povo brasileiro, é sim um privilégio. Entretanto, os políticos estão cumprindo seu papel e trabalham muito em Brasília'', justifica.
No Brasil, cerca de 100 milhões de brasileiros recebem menos de um salário mínimo. Para o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), existem distorções salariais no Brasil. Entretanto, ele não acha que um político receba muito ou pouco. Tudo depende, segundo ele, quanto esse político trabalha. ''Há uma relação lógica entre o trabalho do parlamentar e o seu salário e quem tem tem que avaliar isso é quem paga o salário, ou seja, a população. Quando um salário parece muito alto é porque a prestação de contas para a população é pequena. Muitas vezes o parlamentar acaba fazendo papel apenas de despachante, em vez de fiscalizador da administração pública. Isso faz com que o povo tenha descrédito e ache que ele ganha muito para desempenhar a função para a qual ele foi eleito'', considera Veneri.
Para ele, a população precisa ter acesso às informações. Veneri não acredita que os organismos de Estado sejam realmente transparentes. Normalmente, os órgãos governamentais divulgam apenas os subsídios recebidos por seus chefes de Estado. Entretanto, de acordo com Veneri, omitem os benefícios como uso de carro oficial, gastos com gabinete, diárias, viagens governamentais, chácaras, casas oficiais, segurança, luz, funcionários, guarda-costas.
O vereador de Curitiba Adenival Gomes (PT), que não foi reeleito para a próxima legislatura, vai ainda mais longe. Para ele, o grande problema não é o salário recebido pelos vereadores, mas as vantagens recebidas por eles depois do período eleitoral. ''O que prejudica é a conduta da maioria dos políticos. Obras superfaturadas, licitações, jogam o dinheiro público no lixo. Criou-se no imaginário do povo que o político ganha bem e não faz nada. Ninguém se elege pelo salário e, sim, para manter seus privilégios. Um candidato que gasta R$ 3 milhões na campanha não vai recuperar isso com os salários recebidos. É isso que temos que analisar'', considera.


