Políticos criticam redução do Legislativo
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Patrícia Zanin e Luciana Pombo 
A União dos Vereadores do Paraná (Uvepar) criticou ontem a proposta do senador Álvaro Dias (PSDB) de redução do número de deputados federais, estaduais e vereadores. Álvaro propôs a diminuição através de um projeto de lei e de três emendas à Constituição, que, se aprovados, poderão valer a partir de 2002. Por que o senador não mexeu no Senado e não reduziu o mandato dos senadores? Ele perdeu as raízes e está indo para o discurso demagogo, alfinetou o presidente da entidade e vereador em Matelândia, Edson Primon (PMDB).
Na opinião do dirigente, já que o tucano prega economia - o enxugamento previsto seria de R$ 700 milhões por ano - deveria propor projetos para combater a corrupção. Ele deveria estar preocupado com transparência na administração pública para evitar desvios, sugeriu. Primon disse ter sido questionado por vereadores de várias partes do Estado sobre a atuação de Álvaro Dias na CPI dos Bancos. Os bancos lucraram mais de 10 bilhões de reais com a desvalorização do Real. Por que ele não enfrenta os que têm dinheiro?
O presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Renato Araújo (PPB), também criticou o fato de Álvaro não ter inserido a diminuição do número de senadores em seu projeto. No máximo dois por Estado estaria bom, opinou. Mas Araújo disse que a idéia do tucano é boa e corajosa. É muito deputado federal, muito estadual e muitos vereadores no País, reconheceu. Pela proposta de Álvaro, a Câmara passaria de 513 para 405 deputados até 2014; também haveria redução proporcional nos Estados - no Paraná, por exemplo, o número cairia de 54 para 34 gradativamente - e o número de vereadores do País baixaria de 59.525 para 50.390. Londrina, por exemplo, ficaria com dois a menos.
Os deputados estaduais também reagiram ontem contra a proposta de Álvaro. Algaci Túlio (PTB) é um dos parlamentares mais indignados. Acho que tem que reduzir tudo mesmo e extinguir de vez o Senado que não faz nada, reagiu. Para o deputado, o Senado não precisa ter três representantes de cada Estado. Na opinião dele, apenas um por Estado seria suficiente. Seriam 27 ao todo, propôs.
O presidente da Assembléia, Anibal Khury (PFL), também se mostrou contrário ao projeto. Esta não é uma proposta racional. De acordo com o deputado, seria mais viável uma proposta de proibição de crescimento de vagas no Legislativo do que diminuição das atuais. Ele está na contramão da história política atual. Todos os legislativos brasileiros querem aumentar o número de vagas e ele resolveu diminui-las.
A proposta também foi recebida de forma negativa pela oposição. O deputado Ângelo Vanhoni (PT), classificou de inócua a idéia do tucano. Se o objetivo é fazer economia, o caminho é aprovar a reforma tributária e combater a sonegação fiscal. Se o Legislativo precisa ser modificado, acho que é melhor disciplinar os gastos do que cortar vagas, disse Vanhoni.
O senador Álvaro Dias disse ontem que já esperava a repercussão negativa da classe política. É o corporativismo. Agora fica difícil justificar para a população a demissão de servidores públicos e privados sem a contrapartida dos políticos, afirmou. Ele afirmou estar disposto a acolher sugestões para melhorar o projeto.


