Josoé de Carvalho/Folha de LondrinaMesquinhariaFicinski, à esquerda: ‘‘O direito à melhoria da qualidade de vida da população está sendo negado’’Sobraram críticas aos senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) no 3º Fórum de Desenvolvimento da Amunop (Associação dos Municípios do Norte do Paraná) realizado ontem, em Cornélio Procópio. O objetivo do encontro era dar a largada para a criação de agências de desenvolvimento nos 21 municípios da região para a criação de empregos e renda, mas o assunto ficou em segundo plano. A tônica dos discursos foi contrária à atitude de Requião e Dias, que conseguiram suspender, no Senado, a análise dos pedidos de empréstimos do Paraná até que o governador Jaime Lerner (PDT) apresente o contrato com a montadora francesa Renault.
Participaram do Fórum os deputados federais José Janene (PPB) e Abelardo Lupion (PFL), além dos estaduais Eduardo Trevisan (PTB) e José Maria Ferreira (PSDB), três secretários de Estado, além de lideranças políticas da região. O governador era aguardado no encontro, mas não compareceu.
‘‘Essa suspensão é covarde e não tem justificativa. Os prefeitos devem ligar para os senadores e cobrar uma providência’’, defendeu Lupion, que pretende, a partir da próxima semana, ‘‘botar o partido para trabalhar no Senado para tentar reverter o quadro’’.
José Janene propôs uma audiência pública entre os senadores, o governador e os prefeitos para ‘‘interiorizar a discussão’’. ‘‘Mas o Paraná tem que estar acima de picuinhas políticas’’, acredita. Os secretários do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, da Agricultura, Hermas Brandão, e do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, fizeram coro com os deputados.
‘‘O direito e o acesso à melhoria da qualidade de vida estão sendo sonegados à população do Paranᒒ, criticou Ficinski. ‘‘O recurso não é para o Lerner, não é para o Hermas e nem para os prefeitos e sim para os agricultores’’, disse o secretário da Agricultura, que está perdendo a chance de financiar R$ 400 milhões aos pequenos agricultores por conta da suspensão dos empréstimos no Senado.
De poucas palavras, até o secretário Hitoshi Nakamura criticou os senadores. ‘‘É uma vergonha para nós’’, lamentou ele, que teria empréstimos do Japão para um programa de saneamento, o Paraná San, e vai ter que dar explicações ao imperador Akihito, que visita o Estado no início de junho. ‘‘Esse era o gift (presente) do imperador para o Paranᒒ, completou Ficinski.
‘‘Para mim, o que os senadores fizeram foi uma imbecilidade. Não se deve fazer politicagem com uma coisa tão séria’’, disparou o presidente da Amunop e prefeito de Assaí, José Carlos da Cruz (PDT).

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