Políticos aceleram definição de partidos
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sábado, 03 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 21% dos parlamentares paranaenses que foram eleitos em 2002 já mudaram de partido antes do final do prazo, que vence no próximo dia 30. Entretanto, muitos ainda aguardam uma definição nacional para fazer uma opção. É o caso do deputado estadual Geraldo Cartário (PP), que participou da reunião da bancada do partido e deverá agendar outras para os próximos dias com a Executiva Estadual. A intenção é discutir e analisar as questões internas do partido. Caso não haja possibilidade de fazer um partido forte para as eleições de 2006 com candidatos ao governo do Estado, Senado e chapas fortes para deputados federais e estaduais pode haver uma debandada do partido.
''Tenho convite para ir para o PMDB. Mas não gostaria de sair do PP. Tudo vai depender da reforma política que terá que ser votada até setembro e da composição partidária para termos candidatos em todos os níveis, independente de coligações partidárias'', declarou Cartário. Os parlamentares do PP estão preocupados com a legenda, que teria dificuldades para eleger deputados federais e estaduais sem uma candidatura própria de expressão. Além de Cartário, fazem parte da bancada progressista os deputados Cesar Seleme, Cida Borgheti e Duílio Genari. Cartário foi eleito pelo PSL, mas resolveu deixar a sigla e tem apoiado o governo Roberto Requião (PMDB) na Assembléia Legislativa.
Até agora foi o partido de Requião quem mais ganhou com a dança das cadeiras na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa. O PMDB elegeu sete deputados estaduais e já tem 11 parlamentares na Assembléia. Outros estariam negociando com o partido. São os casos de Jocelito Canto (sem partido), Cartário, Natálio Stica (PT) e Mauro Moraes (PMDB). Stica nega que queira sair do PT, mas sinaliza com a possibilidade caso o partido eleja a ala mais radical do partido nas eleições marcadas para o próximo dia 18. ''Não podemos deixar o chamado PT de origem, que cabe dentro de uma Kombi, comandar o partido que ajudamos a construir. Sei que não é hora de deixar o PT. Não pretendo sair. Vai depender dessa eleição e da reforma política, que está em discussão no Congresso Nacional'', ponderou Stica.
Na Câmara Federal, o PMDB elegeu cinco deputados federais e está com sete. Tanto na Câmara, quanto na Assembléia, o partido detém a maior bancada. Na Assembléia Legislativa, um dos partidos que mais ganhou força foi o PSDB, que elegeu quatro deputados estaduais e conta hoje com nove parlamentares. O ninho tucano ganhou força no Paraná com a eleição de Beto Richa para a Prefeitura de Curitiba. Este pode ser o destino do deputado estadual Luiz Carlos Martins (sem partido), que deixou o PSL e negocia com o PSDB e o PDT. Uma coisa para ele está certa: Martins vai apoiar a candidatura de Osmar Dias ao governo do Paraná.
''Estou pensando num projeto de governo de Estado. Vou aguardar até o final do prazo (em setembro) para me decidir. Muitas coisas estão acontecendo muito rápido no Brasil. Não aguento mais mudar de partido. Hoje os partidos são de líderes. Temos que acabar com os partidos com donos e votar uma reforma coerente e que exija a fidelidade partidária. Só temo que ela seja votada no afogadilho. Ou os deputados federais e senadores votam com maturidade essa proposta ou não se elegerão. O povo quer transparência'', justificou Martins.
Outro partido que ganhou destaque nas últimas eleições foi o PPS, que elegeu dois deputados estaduais e hoje conta com cinco parlamentares. Agora, ganhou a adesão do pastor Ailton Araújo, que foi eleito pelo PTB. Com isso, o PPS ficou fortalecido e pode ter candidato próprio em todos os níveis nas eleições de 2006. Nacionalmente, o PPS do Paraná conta desde o início da legislatura com apenas um parlamentar na Câmara Federal. Entre os partidos que mais perderam deputados estaduais nos últimos anos estão o PFL (que elegeu sete deputados e conta com quatro) e os chamados ''nanicos'' que elegeram um ou dois parlamentares e que foram esvaziados por conta das eleições (casos do PRP, PSL e PSC).


