'Políticas de cotas são insuficientes'
Curitiba - Luciana Veiga, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que, apesar de a vitória de Dilma Rousseff mostrar que ''o eleitorado não é machista'', a eleição da petista não representa necessariamente que as mulheres conquistaram um papel condizente na política brasileira e deve ser atribuída a outros fatores. ''A Dilma foi preparada pelo Lula, colocada em um quadro de visibilidade'', argumenta a professora.
''Existe uma tendência de crescimento na eleição de mulheres, mas ele ainda é muito lento. E acho que a Dilma não representa esse movimento, que, por si só, demoraria mais tempo para eleger uma mulher'', diz Luciana.
A professora aponta que existiram avanços nas últimas eleições, como a vitória de Gleisi Hoffmann para o Senado. Entretanto, ela acredita que o processo de valorização da mulher na política poderia ser bem mais acelerado.
''As mulheres só vão conseguir uma participação maior se tiverem condições de mostrar seu trabalho'', explica. ''Já existem políticas de cotas (para os partidos reservarem vagas para mulheres nas chapas), mas são insuficientes. Se os partidos não tiverem o mínimo de atrativos (para investir em candidatas), não vão se dedicar ao assunto.'' (F.G.)





