Política muda pouco em Londrina em 2005
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domingo, 02 de janeiro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Ano novo. Expectativas novas. Não exatamente no aspecto político administrativo da cidade. A Folha ouviu o sociólogo Ariovaldo dos Santos e o cientista político Mário Sérgio Lepre e, na avaliação deles, o fato de termos um prefeito reeleito e somente um terço de renovação na Câmara de Vereadores fará com que 2005 seja praticamente uma continuação dos últimos quatro anos.
''Se pensarmos em relação a Câmara de Vereadores, não acredito que haja grandes mudanças até porque houve pouca renovação, são praticamente os mesmos vereadores. Com relação à política do prefeito Nedson Micheleti (PT), seguramente ele vai ter que tomar iniciativas que dêem visibilidade'', analisou Santos. ''O que a gente pode esperar em realizações? Aquilo que é mais visível, que são as obras públicas. Um pouco de capina de mato aqui, abre uma ruas ali, mas ainda assim, vamos continuar dentro daquele âmbito da política mais fisiológica. Os quatro anos foram extremamente mornos, onde praticamente você não viu a marca administrativa. Falar que saneou as contas públicas, que estava devendo muito e agora está devendo pouco, isso é uma necessidade. Se esperava efetivamente que fosse uma administração um pouco mais agressiva, se expusesse. Foram quatro anos mornos que tendem a se repetir'', apostou o sociólogo.
''O próprio perfil do prefeito não muda, é um perfil mais tranquilo, de 'vamos arrumar a casa, fazer algumas coisinhas'. Os quatro anos futuros vão depender muito de obras pontuais e visíveis'', disse. ''A reeleição indica continuidade. Obviamente que há mudanças de secretários, acertos para acomodar aqueles que apoiaram a candidatura em 2004. Embora mudem nomes e apoios, o projeto político e administrativo da cidade continua inalterado, até porque, quando o eleitor reconduziu o atual prefeito para este novo mandato disse, implicitamente, que concorda com a política administrativa adotada até então'', avaliou Lepre.
Segundo Lepre, neste segundo mandato, acabou o discurso da ''arrumação da casa''. ''Pela primeira vez tivemos um prefeito reeleito. Embora para este feito tenha obtido o apoio da maioria dos eleitores, para o prefeito acabou o discurso da 'arrumação da casa'. O londrinense aceitou a idéia de que o primeiro mandato recebeu uma herança indigesta, agora o momento é outro. É por isso que 2005 promete'', afirmou. ''Para 2005 a cidade exige mais do que gerenciar a máquina pública, aliás, esta é uma obrigação de qualquer administrador. Agora a esperança é de que haja um desenvolvimento sustentado. Investimentos produtivos para geração de empregos e renda. Consolidação das políticas para o meio ambiente o que garante a qualidade de vida. Investimentos na parte de infra-estrutura urbana, na segurança pública um pesadelo na Londrina de 2004'', elencou o cientista político.
Para Santos, a esperança de maiores investimentos federais na cidade paira sobre o fato de Londrina ter sido a única cidade pólo do Estado em que o PT venceu as eleições municipais. Este quadro político poderá favorecer um aumento dos repasses de recursos federais até 2006, com vistas à reeleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
No âmbito estadual, Santos acredita que mesmo com o rompimento nacional entre PMDB e PT, as relação de Nedson com o governador Roberto Requião (PMDB) devem continuar ''amigáveis''. ''É um jogo de 'gato e rato'. O Requião não pode sucatear uma administração petista em Londrina porque senão o governo federal sucateia uma adminitração estadual do PMDB, então o que você vai ter é muita farpa mas, em linhas gerais, entendo que vai continuar havendo essa política de boa vizinhança'', apostou.
Lepre salientou a necessidade dos governantes terem claro que a ''democracia não termina com o resultado das urnas''. ''Há muitas coisas para esperar dos políticos neste ano que se inicia e também muitas coisas a se exigir. A verdadeira democracia não termina com a contagem dos votos das eleições. É muito importante que a população da cidade acompanhe a atuação dos políticos dando-lhes cartão vermelho ao menor sinal de incompetência.''


