Política antivacina de Bolsonaro foi "criminosa", diz Belinati
Filiado ao PP, prefeito critica gestão da pandemia de governo cujo líder na Câmara foi presidente de seu partido no Paraná
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segunda-feira, 19 de junho de 2023
Filiado ao PP, prefeito critica gestão da pandemia de governo cujo líder na Câmara foi presidente de seu partido no Paraná
Caroline Knup - Especial para a FOLHA 
Filiado ao PP, partido cujo presidente estadual, deputado federal Ricardo Barros, foi líder do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara, o prefeito Marcelo Belinati considerou “criminosa” a política antivacina do governo anterior na condução da pandemia de Covid-19, entre os anos de 2020 e 2022.
As falas foram proferidas durante a cerimônia de assinatura do contrato de repasse de R$ 5,8 milhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) para o programa LI (Londrina Iluminação), na manhã desta segunda-feira (19). Na ocasião, o presidente da Finep, Celso Pansera, apontou a liberação de valores - que antes estavam contingenciados - para o financiamento de estudos e projetos na área da ciência e da tecnologia.
"Neste ano, o Brasil tem R$ 10 bilhões para apoiar projetos. Em 2024, a previsão é de R$ 14 bilhões. No ano passado, o até então presidente [Bolsonaro] assinou uma medida provisória que retinha parte dos recursos. Então, conversamos com o atual presidente [Luiz Inácio Lula da Silva, PT]. Ele deixou a medida provisória caducar e enviou um projeto de lei ao Congresso para liberar os valores que estavam contingenciados", disse Pansera.
Médico de formação e ex-atuante no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em Londrina, Belinati enfatizou em seu discurso a influência do governo Bolsonaro quanto às baixas taxas de vacinação. Segundo o chefe do Executivo local, muitos pais têm deixado de vacinar seus filhos contra a poliomielite no município. "Acabou a ciência [durante o governo de Bolsonaro]. A ciência era, para o governo anterior, uma 'coisa do capeta'. Foi criminoso o que fizeram com a população", declarou.
As falas do prefeito fazem referência às declarações dadas pelo então presidente Jair Bolsonaro, que se posicionava contra a vacinação em meio à pandemia de covid-19. Além de declarar que não se vacinaria, o ex-presidente está envolvido em suspeitas de tentativa de superfaturamento para a compra de imunizantes.
A cobertura vacinal do Brasil, que era referência mundial, caiu vertiginosamente durante o governo Bolsonaro. Em setembro de 2022, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, a cobertura vacinal contra a poliomielite em Londrina foi de 50.6%. A meta do Ministério da Saúde, no ano passado, era imunizar 95% das crianças de um a quatro anos contra a paralisia infantil.
"Esse movimento [de criação de notícias falsas] não era só do Brasil, era mundial. E era baseado em criar polêmicas, mentiras, falsas verdades que confundiam, em distorcer informações com objetivo político", disse Belinati.
MOVIMENTOS
As críticas do prefeito à gestão de Bolsonaro na pandemia reforçam um posicionamento de "independência" que o chefe do Executivo londrinense vem tendo em relação ao seu partido, que foi base de apoio do ex-presidente no Congresso. Nas redes sociais, o prefeito já se posicionou de forma contrária a determinadas pautas na Câmara Municipal defendidas por militantes bolsonaristas. Nos bastidores da política local, a postura de Belinati é interpretada como um sinal de que o prefeito pode terminar seu mandato, ano que vem, fora do PP. O partido não descarta lançar candidato próprio à Prefeitura em 2024, que pode não ser o mesmo nome que o prefeito venha a apoiar para sucedê-lo. O cenário também depende da movimentação do governador Ratinho Jr. (PSD), que não vai abrir mão de indicar o candidato do seu partido na corrida municipal. (Colaborou Diego Prazeres/editor de Política)


