Polícias relutam em abrigar Pascoal
César Felício, Chico Araújo e Sandra Sato
Agência Estado De Brasília
As Polícias Federal (PF) e Militar do Distrito Federal disputaram ontem quem teria o privilégio de não abrigar o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), cassado anteontem e preso em Brasília desde a madrugada de ontem. Inicialmente levado à Superintendência da PF, desde cedo começaram as gestões para que o ex-deputado fosse transferido para a guarda da PM, uma vez que ele é coronel reformado da PM acreana e teria direito a ficar em dependências militares, de acordo com o Artigo 242 do Código Penal Militar.
Preocupado com a transferência, uma vez que não há presídio militar em Brasília, o comandante da PM do Distrito Federal, coronel Antônio Ribeiro da Cunha, reuniu-se com o superintendente da PF no Distrito Federal, Paulo Magalhães, logo pela manhã, para tratar do assunto. Ele fez gestões para que Hildebrando ficasse na PF, já que a alternativa, que seria remetê-lo para o Acre, era inviável, disse um dos integrantes do comando da PM brasiliense.
A preocupação de Cunha era pelo medo de se repetir o episódio da fuga do tenente Osmarinho Cardoso, preso por sequestro, que escapou do 3º BPM, em 8 de novembro de 1997, por negligência da guarda. Não existe cela de segurança máxima na PM daqui; para um prisioneiro como Hildebrando, vai ser necessário destacar 40 guardas para escolta, afirmou este oficial, detalhando que cela de segurança máxima significa portas blindadas, sistema de vigilância eletrônica, perímetro de segurança em torno da cela e total isolamento.
Mas a pressa da PF de se desfazer de Pascoal era tão grande que, logo que o juiz da 2ª Vara Federal, Pedro Francisco da Silva, enviou a ordem para que o ex-deputado fosse transferido num camburão da PF, removeu-o para o Comando-Geral da PM. O procedimento é a própria PM ir à PF com o camburão para a remoção. Sequer foi feito o exame de corpo delito IML, uma praxe adotada pela PF.
O mais curioso é que os dois advogados de Pascoal, Pedro Calmon e Eri Varella, negaram ter pedido a transferência do cliente. Qualquer jornal que publicar que nós pedimos a transferência receberá uma representação judicial pela falsa informação, afirmou, irritado, Varella. No entanto, o advogado não disse a verdade. Na madrugada em que o ex-deputado foi preso, Varella deu uma entrevista gravada onde afirma que o cliente queria se entregar à PM do DF, por ser coronel e ter direito a este privilégio. O advogado até mesmo telefonou para o comandante da PM, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Castelo Branco, e o governador Joaquim Roriz (PMDB), de acordo com o que testemunhou a reportagem.
Naquela madrugada, soldados da PM externaram o medo de que Pascoal fosse abrigado em instalações militares. Comentaram com jornalistas que receavam por uma operação de resgate. Logo que foi entregue à PM, Pascoal foi transferido do Comando-Geral para o Batalhão de Operações Especiais, onde foi medicado: com dores abdominais e gases, o ex-parlamentar não almoçou e teve uma colite diagnosticada por médicos da corporação. A previsão é que hoje ele seja novamente transferido para o mesmo batalhão de onde Cardoso fugiu.Deputado cassado foi preso na madrugada de ontem, mas PF e PM alegam insegurança e temem que ele possa ser resgatado
Lindauro Gomes/Agência EstadoNA CADEIAPascoal sorri, escoltado, ao deixar o Comando da PM em Brasília rumo ao Batalhão de Operações Especiais: prisão temporária de 30 dias





