PARANÁ Policial se apresenta. Só falta Noronha Mauro Canuto é o 13º com prisão decretada pela CPI do Narcotráfico a se entregar; ex-delegado-geral, o 14º, está foragido Edson MazzettoDOIS ALVOS Padre Roque: pedido de convocação para CPI ouvir Canuto em Brasília e críticas ao governo por não prender Noronha Giovani Ferreira De Curitiba O investigador Mauro Canuto, um dos 14 policiais que tiveram sua prisão temporária decretada pela CPI do Narcotráfico, apresentou-se anteontem à noite e está preso numa ala especial da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba. Nos depoimentos feitos aos membros da CPI, Canuto foi apontado como um dos grandes traficantes do Paraná. Os deputados federais que investigam o narcotráfico consideram Canuto uma peça chave para o esclarecimento do esquema de drogas no Estado. Ao todo já estão presos 13 dos 14 policiais que tiveram prisão decretada. O único que ainda continua foragido é o ex-delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes de Noronha. Especulações de seus advogados condicionam sua apresentação ao relaxamento da prisão temporária. Essa hipótese é condenada pelo delegado Clóvis Galvão, diretor da Divisão de Investigações Criminais, responsável pela prisão dos policiais que estão foragidos. Galvão disse que a Justiça não pode revogar a prisão de um foragido, uma vez que, não se apresentando, ele está descumprindo uma ordem judicial. O deputado federal Roque Zimmermann (PT), o Padre Roque, único paranaense a integrar a CPI do Narcotráfico, disse que Canuto vai ser chamado para depor em Brasília. Roque deve formalizar a convocação do policial na próxima terça-feira, durante reunião da comissão. O deputado também acha fundamental que Canuto seja ouvido antes do secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, que também deve ter seu depoimento marcado nos próximos dias. Na avaliação de Roque, as investigações no Paraná devem ter um grande progresso a partir da prisão de Canuto. A CPI esteve no Estado entre os dias 29 de fevereiro e 3 de março. Mauro Canuto teve sua prisão decretada, junto com outros quatro policias, no primeiro dia dos trabalhos. Anteontem, quando se apresentou à Polícia, Canuto completou 21 dias como foragido. Ele foi citado em vários depoimentos como sendo traficante e também um dos articuladores do narcotráfico no Paraná. Seu depoimento é considerado pela CPI como um dos mais importantes colhidos no Estado. Além dos 13 policiais que estão presos, outros 14 funcionários públicos do setor de segurança continuam afastados de suas funções. Segundo Galvão, a Polícia Civil tem feito um trabalho para orientar a defesa de todos os policiais que foram citados na CPI do Narcotráfico. Portanto, explica Galvão, é importante que todos os que tiveram prisão temporária decretada se apresentem para que possam se defender. ‘‘De nada adianta pedir o relaxamento da prisão se nem preso o réu estiver’’, esclarece o delegado. A prisão temporária é estabelecida por lei durante um prazo de 30 dias. No entanto, esse prazo começa a vigorar a partir do momento em que a pessoa é detida.

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