Policial preso confirma atuação no governo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O policial civil Délcio Rasera, preso acusado de ser mandante de grampos telefônicos ilegais em casas de autoridades e políticos, confirmou que prestava vários serviços de segurança para secretários de Estado e autarquias do Palácio Iguaçu num breve depoimento prestado esta semana à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão ligado ao Ministério Público (MP) estadual. Rasera não quis detalhar quais atividades exercia e disse que falaria apenas em juízo. Orientado pelo advogado, Rasera não quer falar com a imprensa, por enquanto.
O advogado de defesa Luiz Fernando Comegno classifica a prisão do investigador de polícia como política e garante que não existem provas no inquérito em andamento que vinculem efetivamente Rasera ao esquema de escutas telefônicas ilegais. ''Ele é o único preso político do Brasil. A prisão dele, feita pelos promotores da PIC, foi uma ação em favor de algum grupo político para prejudicar o governador Roberto Requião. A ação foi hollywoodiana. Não existe como mantê-lo preso'', afirmou. Comegno já entrou com um pedido de habeas corpus no Fórum de Campo Largo, onde as investigações teriam começado. Outro pedido foi impetrado ontem para que as armas apreendidas sejam devolvidas já que elas eram registradas.
''Não tem porque manter as armas apreendidas, nem porque mantê-lo preso. Ele (Rasera) prestou 25 anos de serviços para a polícia, é réu primário, tem residência fixa e família constituída. Se for condenado, vai pegar pena de dois anos de prisão. Isso significa que ele nem será preso, terá pena convertida em prestação de serviços à comunidade. Mantê-lo preso não é lógico. O motivo é político'', argumentou o advogado. Comegno disse ainda que não existiriam provas nos autos contra Rasera, a não ser escutas judiciais de telefones do policial -que foram grampeados a pedido da PIC. As fitas apreendidas nem teriam sido periciadas e não constariam dos autos. ''Se existe algo mais contra ele, precisa ser trazido aos autos. Isso tudo não passa de cena política.''
Comegno admitiu que Rasera era funcionário da Casa Civil e que tinha função de assessoria ao governador -o que poderia ter motivado a prisão do investigador. A afirmação do advogado foi desmentida pelo próprio governador licenciado que, em entrevista a uma emissora de televisão, negou que tenha contratado Rasera e garantiu que o investigador será exonerado. O advogado de Rasera disse ainda que vai sugerir a Assembléia Legislativa que coloque na CPI dos Grampos a investigação sobre as escutas da PIC. De acordo com Comegno, Rasera começou a ser grampeado em maio pelo MP e apenas em junho teria conseguido autorização judicial para escutas telefônicas.
Délcio Rasera tem 48 anos e desde fevereiro de 2003 atuava na Assessoria Especial de governo, cedido pela Polícia Civil para prestar serviços na Casa Civil. A assessoria de imprensa do MP informou ontem que os promotores estão terminando as investigações e deverão oferecer denúncia contra Rasera e os demais presos (entre eles, outra funcionária do Estado) na semana que vem. ''As declarações são de responsabilidade da defesa de Rasera e as questões levantadas serão devidamente esclarecidas no curso dos procedimentos'', limitou-se a dizer o promotor Paulo Kessler, coordenador da PIC.


