Policial nega cooptação de agente do Gaeco
Acusado de ter cooptado policial do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em nome da suposta organização criminosa incrustada na Receita Estadual de Londrina, o policial civil André Luís Santelli negou qualquer negociação ou pagamento de suborno ao agente infiltrado em troca de informações privilegiadas das investigações do Ministério Público (MP) sobre o suposto esquema de propina e sonegação fiscal. Disse inclusive desconhecer trechos da gravação das conversas telefônicas que manteve com o policial do Gaeco.
Com autorização judicial, um agente do Gaeco passou a se infiltrar na suposta organização, fazendo Santelli acreditar que ele, agente, aceitaria proposta de corrupção: passar informações privilegiadas de investigações sobre a Receita em troca de uma comissão mensal. As conversas telefônicas e ambientais entre os dois foram gravadas a partir de julho de 2014 e até janeiro de 2015 Santelli teria feito quatro pagamentos ao agente, somando R$ 3,5 mil, depositados em conta judicial.
Diante das perguntas do juiz Juliano Nanuncio, disse que efetivamente conversava com o agente, a quem conhecia por ter feito juntos um curso preparatório para concurso. Disse que o agente lhe emprestava material de estudo, justificando os encontros. Questionado sobre o por que, então, de tais acusações, alegou que seria por "vingança", porque ele, Santelli, não teria cedido ao assédio sexual do agente infiltrado.
Ao ouvir a leitura, pela promotora Leila Schimiti, de trechos em que Santelli e o agente infiltrado supostamente falam sobre vazamento de informações do Gaeco e os valores que o agente do Gaeco receberia por elas, o policial civil simplesmente respondia: "Desconheço essa conversa". O advogado de Santelli preferiu não conceder entrevista. (L.C.)





