''Policial investiga, não fala'', diz novo diretor-geral da PF
Agência Estado
O novo-diretor geral da Polícia Federal, delegado João Batista Campelo, que deve assumir o cargo na terça-feira, é cauteloso quando fala de metas de trabalho. Mas avisa que pretende adotar a lei da rolha: A partir de agora, policial federal investiga, não fala.
Ex-superintendente em vários Estados, corregedor da PF e diretor da Academia Nacional de Polícia, Campelo assume a nova função numa posição desconfortável. Não esperava que sua indicação tivesse tanta repercussão e fosse fruto dos arranhões no relacionamento entre PMDB e governo. Além disso, pesa sobre ele a acusação de ter participado de sessões de tortura contra o ex-padre José Antônio Monteiro, quando trabalhou no Maranhão, na década de 70. Sobre a questão política, avisa que é um técnico e não entende do assunto. Sobre as acusações, conta que não são um fato novo e garante que não é um torturador.
Nos últimos tempos, Campelo é tido no máscara negra, como é conhecido o prédio-sede da PF, em Brasília, como o eterno candidato à direção da corporação, que já teria até um terno guardado para a posse. Ele chega à PF sem apoio do ministro da Justiça, Renan Calheiros, que o recebeu friamente na quarta-feira. Além disso, de seus colegas há a suspeita que levará delegados aposentados e sindicalistas - sua base de apoio - para os principais cargos. No mesmo dia em que falou com Renan, foi ao Congresso. Não foi recebido pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), mas encontrou-se com outros dois senadores, José Sarney (PMDB-AP) e Jorge Bornhausen (PFL-SC).





