Policial incrimina figurão no caso PIC
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domingo, 21 de janeiro de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
O policial civil Edson Clementino da Silva, o Lambe-Lambe, confessou na madrugada de ontem sua participação no atentado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), ocorrido no dia 29 de dezembro do ano passado em Curitiba, e deixou a polícia mais próxima do mandante do crime. Segundo o delegado-chefe da Divisão de Narcóticos (Dinarc), Adauto Abreu de Oliveira, o mandante seria um figurão de Curitiba. O delegado, porém, não revelou mais detalhes para não atrapalhar as investigações.
Lambe-Lambe negociou sua colaboração nas investigações em troca da redução de uma eventual pena. De acordo com Adauto de Oliveira, ele disse que o incêndio criminoso teve o envolvimento direto do segundo tenente Alberto Silva Santos e de um terceiro homem que a polícia tenta identificar. O delegado disse que vai pedir hoje à Justiça as prisões preventivas de Lambe-Lambe e do segundo tenente. Adauto acrescentou que o segundo tenente Santos sabe quem é o mentor do atentado embora ele negue envolvimento com o caso.
Adauto disse que a confissão de Lambe-Lambe descarta o envolvimento no atentado do policial civil Mauro Canuto e do sargento Ademir Leite Cavalcante, que estão presos, e do advogado Antônio Pellizzetti.
Em depoimento, Lambe-Lambe contou que Santos ofereceu R$ 5 mil para participar de uma ação, sem adiantar maiores detalhes. O policial relatou que aceitou, mesmo sem saber o que seria. Lambe-Lambe disse que ficou com a missão de dirigir o carro do segundo tenente Santos até a sede da promotoria, no bairro Alto da Glória em Curitiba. O veículo um Gol branco está sendo procurado pela polícia.
Durante o trajeto, o segundo tenente Santos teria mencionado uma frase que pode apontar quem é o mandante do crime. O delegado Adauto de Oliveira disse que, por enquanto, não pode revelar o que Santos falou para Lambe-Lambe, para não prejudicar as investigações. Mas informou que o mandante é um figurão de Curitiba. O mentor intelectual e o terceiro autor desconhecido têm características físicas bastante parecidas, acrescentou Adauto.
Na chegada à PIC, Lambe-Lambe disse que buzinou para que o vigilante José Zetti abrisse o portão. Zetti pensou que eram policiais que davam proteção aos promotores, mas foi rendido pelo segundo tenente Santos e o terceiro homem que ainda está tendo sua identidade apurada. O frentista do posto que abasteceu o carro e encheu os galões com o combustível usado no incêndio foi submetido à hipnose e reconheceu os três. Enquanto os dois espalhavam gasolina pela promotoria, Lambe-Lambe contou que ficou dando voltas na quadra para esperá-los.
Quando terminaram, Santos telefonou de seu celular para o de de Lambe-Lambe, confirmando que o serviço tinha sido realizado. O uso dos celulares era uma das evidências levantadas pela polícia que colocava os dois policiais na linha de frente do atentado. Depois que o incêndio foi consumado, Lambe-Lambe relatou que o segundo tenente e o terceiro homem, que ele afirma não conhecer, o deixaram na lanchonete X-Picanha e foram embora.
Desde que foi preso, no último dia 12, Lambe-Lambe negava qualquer vínculo com o caso. Disse que estava numa boate quando aconteceu o atentado. Nenhuma das cinco testemunhas chamadas na sexta-feira confirmou sua versão. Hoje, à meia-noite, vence o prazo de prisão temporária de Canuto, Cavalcante e de Lambe-Lambe.
O advogado Pellizzetti foi indiciado no inquérito justamente por causa das supostas ligações dele com Lambe-Lambe, Mauro Canuto, Ademir Leite Cavalcante e o segundo tenente Alberto Silva Santos. Segundo o delegado Adauto, todos se conheceram no escritório do advogado. Pellizzetti se apresentou espontaneamente anteontem na Divisão de Narcóticos para prestar declarações à polícia e negou o envolvimento com o atentado à PIC.


