Policial envolve sócio de Valério em saques
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quinta-feira, 04 de agosto de 2005
Folhapress 
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Brasília - Segundo maior sacador das contas da SMPB no Banco Rural (R$ 4,9 milhões), o policial civil Davi Rodrigues Alves afirmou ontem na CPI dos Correios que atuou apenas como transportador de valores para Cristiano Paz (sócio), Simone Vasconcelos (diretora financeira) e Geiza Dias (gerente financeira). Contradiz, assim, a versão de que sacava o dinheiro a pedido de Marcos Valério Fernandes de Souza para a sócia de Duda Mendonça, a publicitária Zilmar Silveira.
Simone Vasconcellos havia dito anteontem na CPI que nunca teve contato com Davi, que teria sacado com cheques parte dos R$ 15,5 milhões supostamente destinados a Zilmar. Como ambos Simone e Davi depuseram sob juramento, o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) pediu ao Ministério Público a apuração do crime de falso testemunho.
Para Serraglio, Davi disse a verdade. Outros parlamentares foram mais contundentes, chamando Simone de mentirosa e protagonista de um show de falsidade e frieza.
Davi se classificou de peixe pequeno e trouxe documentação bancária para demonstrar suas dificuldades financeiras e reforçar a necessidade que teve, em 2003, de fazer um bico em sua folga de plantão na Polícia Civil para complementar sua renda.
Porém, suas ligações levantaram dúvidas. Ele disse ter sido apresentado a Cristiano Paz por Haroldo Bicalho e que não sabia que este era um doleiro preso pela Polícia Federal. Também disse ter feito serviços diversos para a Solida Factoring em Belo Horizonte. O sr. diz a verdade, mas não é inocente. O sr. é policial e sabe que foi usado de mula, disse o policial e deputado Alberto Fraga (PFL-DF).
Em sua defesa, Davi disse ter sido ingênuo à época. Na minha ignorância, jamais poderia ter imaginado que era um sacador. Eu era um transportador, disse. Ele detalhou que ia, armado, diretamente à tesouraria, no porão de uma das três agências do Rural em BH onde os maços lacrados já estavam preparados. Apresentava apenas sua identidade e levava, até três vezes no mesmo dia, quantias de R$ 50 mil a R$ 150 mil dentro de caixa de celular ou sapato. Levava o dinheiro para Cristiano, Simone ou Geiza.
Por cada serviço, recebia entre R$ 50 e R$ 100, incluindo a corrida de táxi. Isso tudo foi em 2003. De lá prá cá nunca mais botei no meu bolso uma nota de R$ 100 que fosse minha, disse.
Causou estranheza uma afirmação de Davi muito semelhante à de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério: Todo mundo só fala de Marcos Valério. Até parece que o Cristiano não é dono da SMPB. É muito importante a ligação de Cristiano Paz aos saques, disse o relator Serragalio.
Segundo Davi, Cristiano o contratou porque estava fazendo um operação financeira e precisava de alguém para buscar dinheiro vivo por um período. Sobre Zilmar, foi veemente: Nunca ouvi falar dessa senhora. Não sei nem pronunciar o nome dela.
O depoimento durou apenas três horas e meia. Davi foi acompanhado por advogados de seu sindicato e está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais.


