O investigador Délcio Augusto Razera, da Polícia Civil, que participou das investigações sobre o rombo comprovado de R$ 226 milhões na Banestado Leasing – mas que pode chegar a R$ 344 milhões – provocado por contratos ilegais realizados durante a gestão de Osvaldo Magalhães dos Santos, teve a garagem da sua casa alvejada por 22 tiros de metralhadora calibre 9 mm. O fato teria ocorrido por volta das 23h30 de anteontem, no Jardim Social, em Curitiba, quando Razera desligou as luzes e saiu de casa para entrar no seu Vectra azul, placa AJI-2294, de Curitiba. ‘‘Eu tinha um compromisso fora e ia sair de casa quando percebi os disparos’’, declarou.
Razera disse que só teve tempo de correr para dentro de casa. ‘‘Tudo foi muito rápido. Questão de um segundo e meio’’, calculou. ‘‘Só posso vincular este atentado a uma revanche em função das notícias envolvendo a Banestado Leasing. Sei demais, vou ser ouvido pelos promotores, sou uma pessoa-chave neste processo. Sei tudo o que coloquei no papel e o que não coloquei também’’, comentou.
Um vizinho disse ter visto quando ‘‘um carro branco’’ estacionou do outro lado da rua com dois homens. Um deles teria descido e atirado. ‘‘Não tenho medo de morrer. Tenho receio pela minha família. Mas já estou tomando todas as providências de um bom investigador de Polícia. De caça, agora eu virei caçador’’, enfatizou Razera.
O policial afirmou que vai investigar pessoalmente o atentado. ‘‘Estou enraivecido porque eles desrespeitaram a minha casa, a minha família. Isto me libera para desrespeitá-los também’’, ameaçou. Onze tiros acertaram a lataria do carro de Razera. A perícia do Instituto de Criminalística recolheu os projéteis e vai fazer um laudo. O investigador trabalha no 6º Distrito.
Razera começou a investigar o caso da Banestado Leasing em 97, quando trabalhava na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas. Razera ouviu Osvaldo Magalhães dos Santos, que morreu num acidente de carro em setembro de 98. Osvaldo dirigiu a Banestado Leasing quando houve o rombo.
O resultado do inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) que, na semana passada propôs ação penal contra nove acusados no caso. Eles poderão ser presos. Além do MPF, o MPE ingressou com ação civil pública por improbidade administrativa contra os nove e o espólio de Osvaldo.

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