Policial acusado de tráfico tem barco no litoral
Policial acusado de tráfico tem barco no litoral Padrão de vida do acusado não condiz com salário pago pela Polícia Kraw PenasLazerBarco Alibe, avaliado em US$ 15 mil, está com a família de Samir Skandar há mais de um ano e meioArquivo FolhaSamir, ao ser preso pela PF...Kraw Penas... e o Jet Ski usado pela família para desfrutar as delícias do litoral Paranaense Rubens Burigo Neto Enviado a Pontal do Paraná Se a CPI do Narcotráfico levar à quebra de sigilo bancário de policiais acusados de envolvimento com o crime organizado pode bater na constação de que o padrão de vida que parte deles vem levando não condiz, pelo menos aparentemente, com os salários pagos pela instituição. Um caso evidente é o do policial civil Samir Skandar, preso sob suspeita de ter posição de destaque na distribuição de drogas em Curitiba. No hangar da Marina Sul, em Pontal do Paraná, estão depositados três barcos e um jet ski que pertenceriam à família Skandar. Um deles um modelo de 26 pés (quase 6,5 metros), batizado Alibe, avaliado em mais de US$ 15 mil é desfrutado por Samir há pelo menos um ano e oito meses, informaram os funcionários da marina. Policial há quase 20 anos, Samir Skandar, conforme informações na própria Polícia Civil, não estaria recebendo mais do que R$ 900,00 de salário como investigador, nos últimos anos. A taxa do aluguel mensal da marina é cobrada pelo tamanho dos barcos, R$ 12,00 por pé. Por esse valor, o barco dos Skandar paga pelo menos R$ 312,00 por mês, ou mais de 34% do salário de Samir. Os nomes de alguns barcos ali ancorados reforçam as suspeitas de uma convivência amistosa entre policiais e gente investigada por eles, nos momentos de lazer. Muito próximo do Alibe, de Samir, estão um barco importado, de 21 pés (pouco menos de 8 metros) avaliado em US$ 35 mil e um Jet Ski (registro PR 3910 MI), batizados de Kadu Mares, e Mandellinho, respectivamente. Os nomes fazem referência a Paulo Mandelli e Juarez França Costa, o Caboclinho, apontados na CPI como donos de oficinas de desmanches de carros roubados e da loja de revenda de autopeças Kadu. Além de apontado como um dos principais distribuidores de cocaína em Curitiba, Samir também manteria estreitas ligações com Mandelli e Caboclinho. Uma lancha Carolina de 23 pés, com um motor de 225 cavalos de potência, seria o modelo mais antigo mantido pela família Skandar na marina. A Folha tentou de várias maneiras confirmar a propriedade desses barcos. Mas nem mesmo um ofício encaminhado ao capitão de Mar e Terra da Capitania dos Portos do Paraná, Francisco Haranaka, teve o resultado esperado. As informações do cadastro de embarcações e proprietários são sigilosas, só sendo fornecidas, pontualmente, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal, ou quando solicitados por órgãos públicos como a Fazenda Nacional, INSS ou Ministério Público dentro do amparo legal correspondente, justificou o capitão, em resposta via fax, à redação em Curitiba. O dono da marina, Carlos Cravo, afirmou que é apenas depositário dos barcos e que não saberia informar a quem eles pertencem. Cravo só garantiu que o dono de oficinas Paulo Mandelli não tem nenhuma embarcação guardada em sua marina. Os funcionários dele contaram que os barcos são usados sempre para passeios da família Skandar nos fins de semana e durante as férias. Nunca esses barcos foram para o mar à noite ou tripulados somente por homens. Sempre tem muitas crianças e mulheres junto, garantiu um deles, descartando hipóteses de que a pequena frota pudesse estar sendo utilizada para recolhimento e distribuição de drogas no litoral. A mulher de Samir Skandar, Sônia Baggio (delegada da subdivisão de vigilância privada da Delegacia de Segurança e Informações de Curitiba), afirmou na sexta-feira que não é o momento para o advogado dele prestar declarações à imprensa. Ele vai entrar com recursos na Justiça para relaxar a prisão do Samir e, por isso, falar com jornalistas pode nos prejudicar, disse ela. Sônia também não forneceu o nome do advogado contratado para defender o marido. Samir Skandar está preso na delegacia da Polícia Federal desde o primeiro dia dos depoimentos bombásticos à CPI do Narcotráfico, que na passagem por Curitiba levou à queda da cúpula da Polícia Civil, no começo deste mês. O policial foi indiciado por tráfico de drogas e formação de quadrilha.





