Curitiba - O policial civil Délcio Augusto Rasera, que passou dez meses preso acusado de comandar um esquema de escutas telefônicas clandestinas, está novamente trabalhando em uma delegacia de Curitiba. Na semana passada, ele foi designado para atuar no 1º Distrito Policial, responsável pela investigação de crimes no Centro da Capital.
Rasera foi preso em 5 de setembro do ano passado, durante uma operação comandada pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Ministério Público (MP). Ela investigava denúncias de grampos telefônicos ilegais e apontou o policial como chefe do esquema. Como a prisão ocorreu durante o período eleitoral, o assunto foi explorado pelos candidatos de oposição ao governador Roberto Requião (PMDB). Na época, Rasera estava cedido para trabalhar na Casa Civil do Palácio Iguaçu.
Depois de inúmeras tentativas, os advogados do policial finalmente conseguiram um habeas corpus para libertá-lo no dia 20 de julho. Desde então, Rasera não havia voltado ao trabalho. Agora, está lotado no 1º DP de Curitiba. Mas, por enquanto, efetua apenas serviços administrativos, como lavratura de boletins de ocorrência, sem poder participar de investigações nas ruas.
Enquanto isso, Rasera continua aguardando a conclusão de dois processos judiciais a que responde. O primeiro, referente às acusações de grampos ilegais, corre no município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, por onde foi expedida a ordem para sua prisão no ano passado. O segundo, por porte ilegal de armas, tramita na 5 Vara Criminal de Curitiba. Segundo Alexandre Salomão, um dos advogados do policial, os dois processos estão em fase de diligências, aguardando os depoimentos de testemunhas ou o resultado de perícias.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) não soube informar se Rasera responde a algum procedimento administrativo junto ao Conselho Superior da Polícia Civil. Salomão também disse não ter conhecimento disso. ''Se existe qualquer procedimento administrativo, a defesa ainda não foi notificada'', explicou.

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