Policiais são suspeitos de matar deputado
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sábado, 22 de dezembro de 2001
Gilmar Agassi<Br>De Cascavel 
Pistas colhidas por investigadores da polícia e pelo Ministério Público (MP) levaram aos nomes de seis pessoas consideradas suspeitas de participação no assassinato do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB). Na lista, estariam pelo menos duas pessoas ligadas à Polícia Civil, além de políticos. Amorim foi morto com cinco tiros, na noite de terça-feira, em frente ao prédio onde morava.
As suspeitas sobre a participação de policiais civis no homicídio de Amorim foram levantadas em decorrência das constantes críticas feitas pelo deputado. Ele era radialista e apresentador de programa policial na TV e atacava a forma de atuação dos policiais em Cascavel.
Em seu último programa, o deputado prometeu que no dia seguinte anunciaria os nomes de policiais civis que estariam envolvidos no desaparecimento de US$ 900 mil. O dinheiro era transportado de Foz do Iguaçu para Curitiba.
Além disso, pesava contra a vítima a suspeita de envolvimento em um crime. Apesar de nunca terem sido comprovadas as acusações, Tiago era suspeito de participar de um esquema de desmanche de carros na região Oeste. O deputado não se conformava ainda com o fato de não ter conseguido colocar na delegacia local um superintendente indicado por ele. O atual comando da Polícia Civil em Cascavel estaria atrapalhando seus negócios.
O delegado designado para o caso, Alexandre Macurim, disse ontem que é bem provável que seja solicitada a quebra do sigilo telefônico de Amorim. Ele acredita que esta pode ser uma forma de se chegar aos responsáveis pelo crime. O delegado continua interrogando pessoas próximas ao deputado na tentativa de encontrar pistas. Os promotores que cuidam do caso acreditam que possa ter ocorrido uma queima arquivo ou vingança.
Ontem, peritos do Instituto de Criminalística voltaram ao local do crime para fazer a reconstituição. Amorim morava em um prédio na área central de Cascavel. Quando se aproximava de seu carro, o deputado foi abordado por um motociclista que disparou tiros de uma pistola 9 milímetros.
O chefe da Criminalística de Cascavel, Celestino Boguer, reclamou que, ao chegarem no local no dia do crime, alguns pertences do deputado haviam sido tirados do lugar. Ele argumentou que isso prejudica o trabalho da perícia. A Criminalística constatou que foram disparados nove tiros, sendo que cinco atingiram a vítima.
O chefe da seção de hipnose do Instituto de Criminalística do Paraná, o psiquiatra Rui Fernando Cruz Sampaio, esteve ontem em Cascavel. Ele hipnotizou o porteiro do prédio onde morava o deputado, Ermelindo Martins de Souza, que teria sido um dos poucos a presenciar o assassinato.
''Estivemos no local durante a noite e ficou claro que a pouca luminosidade não permitiu que ele (porteiro) identificasse a placa. Mas seu depoimento foi melhorado, o que pode ajudar'', afirmou Sampaio.


