Policiais são denunciados por extorsão
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segunda-feira, 06 de maio de 2002
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá - O Ministério Público (MP) de Maringá ingressou ontem, na 4ª Vara Criminal, com uma denúncia de extorsão mediante sequestro contra os seis policiais e um advogado que foram investigados pela Corregedoria da Polícia Civil em março deste ano. Os policiais e o advogado são acusados de exigir suborno para libertar, em janeiro deste ano, Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro, e Elcyd Oliveira Brito (John), ambos integrantes da quadrilha que sequestrou e matou o prefeito do município paulista de Santo André, Celso Daniel (PT).
Os seis policiais envolvidos na denúncia são Nilo Sérgio Antunes, Shirlei José da Silva Rodrigues, Paulino Gonçalves, João Edson Pinheiro, Antonio Rubens de Oliveira e Robson Paulino dos Santos Guimarães. O advogado Marcos Cristiane da Silva também é acusado do crime de extorsão mediante sequestro. A pena prevista para este tipo de crime é de 12 a 20 anos de reclusão.
A denúncia apresentada pelos promotores Maurício Kalache, Emília Ribeiro, Leila Shimiti e Edson Aparecido Cemensatti contraria o inquérito policial que apurou o caso, presidido pelo corregedor Idelberto Lagana, e que prevê apenas o crime de abuso de autoridade. Na versão do corregedor, os policiais e o advogado não poderiam ser denunciados por extorsão por falta de provas.
De acordo com a promotora Leila Shimiti, a denúncia é baseada principalmente no depoimento da testemunha Eunice Barboza de Almeida, casada com um tio da mulher de Ivan Rodrigues. Segundo Eunice, dois policiais fizeram a prisão de Ivan na tarde de 30 de janeiro deste ano, na frente da casa dela, em Sarandi (7 quilômetros de Maringá). Eunice confirmou a versão de Elaine, mulher de Ivan, de que os policiais exigiram os documentos de uma caminhonete Ford Ranger e de um Kadet e também de uma casa para libertar Ivan e Elcyd.
O próprio Ivan, que foi libertado no dia 1º de fevereiro, teria dito à Eunice que a proposta do acerto surgiu na delegacia, quando um delegado disse o nome completo dele. Ivan que usava o nome falso de Alexandre Cintra de Toledo teria revelado que, diante da descoberta dos policiais, decidiu informá-los sobre os seus bens.
Em um trecho do depoimento, Eunice revela que Ivan teria afirmado que o próprio delegado sugeriu conversar sobre o acerto. Segundo ela, um advogado que se chamaria Marcos intermediou as negociações entre os policiais e a família de Ivan.
Embora as testemunhas ouvidas pela Polícia Civil e pela promotoria não tenham se referido à extorsão, elas confirmaram que a liberdade dos dois foi condicionada à entrega de bens, e isso, no entendimento da promotoria, caracteriza extorsão, disse a promotora Leila Shimiti.
Os policiais respondem a processo administrativo da própria Polícia Civil. No entanto, apesar de terem sido afastados da Delegacia de Maringá, continuam exercendo atividades policiais na região de Umuarama. Eles foram transferidos para Pérola, Altônia e Alto Piquiri.


