Policiais negam atentado à Procuradoria
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terça-feira, 07 de maio de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dois acusados de envolvimento no incêndio da sede da Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), ocorrido no final de 2000, foram interrogados ontem pela Justiça. O investigador Samir Skandar e o cabo João Luiz Sczepanski, que trabalhava na PIC, negaram qualquer envolvimento no caso.
Os processos são uns dos últimos restantes no caso, que envolveu mais de dez réus. Resta apenas o julgamento do ex-policial civil Edson Clementino de Souza, conhecido como Lambe-Lambe. Clementino de Souza foi afastado da Polícia Civil no dia 28 de maio de 2001, acusado de praticar extorsão. O segundo-tenente Alberto Silva Santos e o taxista Alexsandro Ribeiro foram os únicos condenados até agora.
Sczepanski e Skandar foram denunciados pelo Ministério Público como co-autores do incêndio numa fase posterior do processo. Sczepanski, entretanto, já havia figurado no processo como testemunha de acusação. Ele deu um depoimento aos promotores que envolvia o nome de outros policiais que teriam ligações com o advogado Antônio Pelizzetti.
Posteriormente, Sczepanski modificou seu relato perante à Justiça, afirmando que havia sido coagido pelos promotores para incriminar o advogado, que seria desafeto de alguns integrantes da PIC. Eu disse ao juiz que havia sido ameaçado pelos promotores caso mudasse meu depoimento. E foi de fato o que aconteceu, comentou o cabo. Sczepanski foi denunciado pelos promotores por ter repassado informações sobre o funcionamento da PIC para os autores do incêndio.
O investigador Samir Skandar também negou qualquer envolvimento no assunto. Ele foi apontado por Clementino de Souza como sendo a pessoa responsável por repassar R$ 70 mil para Sczepanski e outros denunciados para que incendiassem a promotoria. Na denúncia, disseram que haviam telefonemas meus para Sczepanski. Nunca falei com ele, e disponibilizei meus sigilos bancários, fiscal e telefônicos para a polícia para que eles investiguem, se quiserem, afirmou.
Segundo Skandar, Clementino de Souza o teria acusado de participar no crime por ele ter se recusado a emprestar dinheiro para que o ex-policial civil pagasse os honorários de seu advogado.


