Curitiba - O delegado da Polícia Federal, José Francisco Castilho, e o perito criminal da Polícia Federal, Renato Rodrigues Barbosa, prestaram depoimento, ontem de manhã, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, que apura as irregularidades junto ao Banestado. Nos depoimentos, eles traçaram todo o esquema de lavagem, mas não citaram nomes, uma vez que a investigação tem caráter sigiloso. ''Não tenho dúvida de que temos um grande documento nacional sobre a lavagem de dinheiro no Brasil, um mapa da corrupção financeira, que faltou por exemplo na CPI do Narcotráfico, na CPI do Futebol. As pessoas vão se surpreender quando tiverem acesso à nossa base de dados'', afirmou.
As investigações abrangem de 1996 a 2002. Segundo o perito Renato Rodrigues Barbosa, em Foz do Iguaçu foram detectadas cerca de 300 contas-fantasmas, que receberam dinheiro de 8 mil depositantes e registraram mais de 140 mil transações. O destino do dinheiro eram as contas CC-5 (destinadas a estrangeiros que moram no País). Entre 1996 e 1997 foram movimentados US$ 9 bilhões em 20 contas CC-5 envolvidas no esquema.
Para despistar, segundo o perito, os envolvidos movimentavam o dinheiro entre as contas-fantasmas, e chegaram até a forjar movimento de carros-forte entre Ciudad del Este, no Paraguai, e Foz do Iguaçu, para simular a chegada de dinheiro proveniente do cemércio. A princípio achava-se que o dinheiro ia para o Paraguai rumo a contas em paraísos fiscais. Mas logo as investigações apontaram que o destino era a agência do Banestado em Nova York.
Nos Estados Unidos, a força-tarefa conseguiu a quebra de sigilo das contas bancárias. Foram investigadas 137 contas, responsáveis por 90% de todo o movimento da agência. ''Descobrimos que elas eram movimentadas pelos mesmos doleiros e empresas que atuavam em Foz. Para ter idéia, um doleiro movimentou sozinho US$ 800 bilhões'', relatou.
Só em 1996 e 1997 as 137 contas totalizaram US$ 14,9 bilhões. Posteriormente foram descobertas mais 39 contas, onde estima-se que tenham sido enviados outros US$ 15 bilhões ilegalmente para fora do Brasil. Ao todo, segundo Barbosa, foram realizadas mais de 400 mil operações bancárias e transferências internacionais. Segundo o delegado Castilho, para finalizar as investigações é necessário mais informações sobre estas 39 contas. Há ainda cerca de 15 CC-5 em Nova York, que não foram investigadas.
Até ontem de manhã, Castilho e Barbosa ainda não tinham sido comunicados oficialmente de que foram afastados das investigações em Nova York, e designados para trabalhar com o procurador da República, Luiz Francisco de Souza, no Brasil. Os dois desconhecem as razões do afastamento e não quiseram comentar uma possível relação com o envolvimento de políticos no esquema de lavagem.
Após os depoimentos, os deputados aprovaram um pedido de quebra de sigilo para ter acesso à totalidade das investigações da força-tarefa.

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