Curitiba Os policiais civis receberam ontem a notícia de que o reajuste salarial aprovado no final do governo Jaime Lerner (PFL) vai mesmo ser pago na folha do mês de janeiro, como foi prometido em novembro, durante a transição dos dois governos. Segundo o presidente em exercício do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), Wilson Monteiro, a diretoria geral da Secretaria de Administração informou que se não houver tempo hábil para fazer o pagamento no contra-cheque, sairá uma folha complementar.
A decisão acaba com a expectativa criada na categoria, que não sabia ao certo se Requião cumpriria ou não promessa de seu antecessor, e abre brechas para outras categorias também pleitearem reajustes. O benefício deve atingir 2,4 mil policiais civis das categorias de base, ou seja, papiloscopistas, escrivães e investigadores.
O Sinclapol prefere falar em correção de distorções ao invés de aumento. Isso porque, o reajuste vai igualar o pagamento da gratificação por Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (Tide) a todos os policiais. Aqueles que haviam recorrido à Justiça, já recebiam uma gratificação de 120% sobre o salário como Tide. Porém, quem não havia buscado o benefício recebia uma gratificação cerca de 50% menor, concedida pelo Estado.
Além dos policiais civis, os militares também tiveram um projeto de melhoria salarial aprovado na Assembléia Legislativa, mas por enquanto o governo não acena com nenhum pagamento. O projeto prevê a concessão de uma gratificação aos policiais militares, a ser paga em três parcelas, a primeira vencendo neste mês. Os índices variam bastante conforme a situação de cada policial. Na folha dos ativos, representaria um aumento de 39% e na folha dos inativos o impacto seria de 6%.
O presidente da Associação de Defesa dos Policiais Militares Ativos e Inativos e Pensionistas, coronel Eliseu Ferraz Furquim, disse que a categoria está esperando ansiosamente pelo pagamento da primeira parcela do reajuste da gratificação, mas que a categoria vai negociar uma revisão da lei que aprovou o benefício, porque a considera muito falha. ''O governo terá que cumprir a promessa do pagamento da primeira parcela porque a situação de miserabilidade dos policiais militares é grande.''
Ele informou ainda que não foi convidado a participar de nenhuma reunião para discutir o assunto com o atual governo. ''Sabemos que a nova equipe ainda está tomando pé da situação e estamos aguardando um contato'', informou.
A situação da Polícia Científica é mais delicada. O projeto enviado pelo governo anterior à Assembléia Legislativa foi aprovado somente em primeira discussão. Para se tornar lei, precisa voltar à Assembléia, para mais uma votação.
O projeto previa aumentos variados para cada uma das quatro categorias
existentes dentro da Polícia Científica do Estado, estabelecendo um reajuste médio de 35%. ''O plano corrige uma série de distorções que foram se acumulando durante os anos'', conta o presidente da Associação de Criminalística, João Ricardo Fiedler.
O delegado-geral da Polícia Civil, Adauto de Oliveira, foi procurado ontem pela equipe da Folha, para detalhar mais a medida, mas a informação de seus assessores é de que ele estava em Ponta Grossa e não poderia falar com a reportagem. O secretário de Administração, Reinhold Stephanes, também estava em viagem ontem e a diretora geral da secretaria não podia atender porque estava em reunião. O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, também se negou a atender a reportagem.

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