Policiais acompanharam sessão nas galerias
O enfrentamento da Comissão Processante (CP) surpreendeu muita gente fora do plenário, ontem, na Câmara. Nos bastidores, mesmo pessoas ligadas ao vereador Orlando Bonilha (PR), como o advogado dele, Ronaldo Neves, cogitavam a renúncia como alternativa a ser adotada como forma de se estancar a sangria pública que já vem de semanas.
Com uma defesa prévia feita ao microfone, à Mesa, Neves pediu que a votação da admissibilidade da denúncia originada do relatório da Comissão de Ética fosse suspensa até dia 7 de abril, quando os cinco denunciados pelo Gaeco na ação por formação de quadrilha e concussão participam de audiências com o juízo da 3 Vara Criminal. A proposta foi negada, e a CP foi instaurada, por sorteio, por 13 votos favoráveis e dois contrários: os de Fávio Vedoato (PSC) e Renato Araújo (PP), denunciados com Bonilha pelo Gaeco. Na mesma situação que estes, Osvaldo Bergamin (PMDB), ausente ontem alegando motivos de saúde, foi eleito membro da CP - sorteados também integrantes, e definidos os postos entre si, Tercílio Turini (PPS) e Roberto Kanashiro (PSDB) serão respectivamente presidente e relator do grupo.
Com clima tenso, a sessão foi acompanhada por populares nas galerias e por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), posicionados nelas e também na entrada do prédio. Era grande o burburinho sobre a prisão do vereador. ''Se isso (prisão) acontecer, não será surpresa'', chegou a dizer o advogado dele, pouco antes.
Em coletiva, Bonilha se disse vítima de ''perseguição de grupos políticos'' e enterrou os planos de candidatura para este ano. ''Mesmo que eu passe por esse processo e não tenha nenhum problema, não sou candidato a mais nada. Mas no momento certo vou falar a realidade dos fatos'', avisou.
O advogado dele, contudo, já deu mostras de que pedir a suspeição de vereadores com base no que vier das investigações do MP deverá balisar as próximas ações da defesa. ''Acredito que seja uma prática na Câmara aliciar vereadores para aprovar projetos, porque estou convencido em função de informações que tenho do próprio MP, pelas provas já coletadas. E se os promotores agirem como estão fazendo para apurar os reais responsáveis, dos quais excluo meu cliente, tenho convicção de que ao final de 90 dias poucos vereadores estarão em condições de julgar o Bonilha na CP.'' (J.G.)





