A Polícia Civil deve iniciar hoje investigações sobre uma carta que circulou no final da semana em Cascavel, com ataques a padres locais, por posições que assumiram nas eleições de 4 de outubro. A carta, distribuída de mão em mão, tem assinatura do deputado federal Hermes ‘‘Frangão’’ Parcianello (PMDB) e papel com timbre da Câmara, e segundo queixa registrada na Polícia por assessores do parlamentar, a assinatura foi falsificada ou reproduzida de outro documento, assim como o papel.
O autor das falsificações teria aproveitado fatos eleitorais que, teoricamente, fizeram com que a votação de ‘‘Frangão’’ não fosse superior aos 49 mil votos que obteve (apesar de ter sido reeleito), para hostilizá-los com o clero, segundo sua assessora, Lenita Carvalho, que esteve na Polícia acompanhada de Walter Parcianello, irmão do deputado, e de um advogado. ‘‘Frangão’’ chegou a Cascavel domingo, para inteirar-se do caso.
Na eleição, setores do clero manifestaram apoio ao empresário Renato Silva, candidato a deputado federal pelo PSDB, que obteve 42,5 mil votos. Nos dias que antecederam a eleição milhares de famílias da região receberam carta do padre Sandro Cortese, assessor de Comunicação da Arquidiocese e membro da Pastoral de Comunicação, pedindo abertamente voto para Renato. O empresário é o principal dono da Rádio Colméia, na qual a Arquidiocese tem parte.
A carta de Cortese foi acompanhada de um santinho do candidato a deputado estadual (eleito) Tiago Novaes (PPB), radialista que era funcionário da Colméia. Já na carta com ataque aos padres, segundo Lenita Carvalho, além da assinatura do deputado ter sido falsificada, no rodapé aparece uma numeração de correspondência saída da Câmara em junho de 95, ‘‘portanto fica claro que utilizaram um papel velho’’.
O texto, confuso em algumas partes, afirma que ‘‘alguns padres e até mesmo um bispo ’’ - referência a D. Lúcio Baumgaertner - agiram na campanha motivados por ‘‘interesses pessoais impublicáveis’’, que eles formam ‘‘uma corja e se escondem em batinas sujas pelos seus pecados inconfessáveis’’, e que serão ‘‘defenestrados no momento certo’’. Renato Silva é apontado como envolvido em ‘‘contrabando de açúcar’’ - ele é também é dono de uma distribuidora de açúcar - e Tiago como ‘‘metido em maracutaias’’.

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