Polícia tem mais suspeitos em Mariluz
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terça-feira, 06 de março de 2001
Vânia Moreira De Umuarama 
A Polícia Civil de Umuarama e Centro de Operações Especiais (Cope) investigam a participação de outras pessoas na morte do vice-prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Aires Domingues (PPS), 58 anos, e do presidente do PPS no município, Carlos Alberto de Carvalho, 37 anos. O ex-sargento da PM, José Lucas Mendes, 44 anos, de Corumbataí do Sul, está preso em Umuarama. Ele confessou ter matado os dois políticos e apontou o prefeito Adelino Gonçalves (PMDB) como mandante do crime. Domingues e Carvalho foram mortos a tiros de pistola 9 milímetros na quarta-feira passada, no escritório do presidente do PPS.
Segundo o delegado do Cope, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, pelo menos mais 3 pessoas teriam participado do crime. A Polícia procura um homem que teria ido com o prefeito a Corumbataí do Sul para acertar o serviço com Mendes. O delegado-chefe de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, adiantou apenas que já tem alguns suspeitos que podem ser presos a qualquer momento. A Polícia estaria apenas aguardando ordem judicial para prender o prefeito.
Segundo advogados de Gonçalves, ele está em Curitiba e nega envolvimento no crime. O prefeito estaria sendo acompanhado de perto por policiais do Cope. Como prefeito tem foro privilegiado, a prisão dele só poderá ser decretada pelo Tribunal de Justiça, através de pedido encaminhado pela Procuradoria-Geral de Justiça. A Procuradoria encaminhou ontem o pedido que deve ser apreciado hoje pelos desembargadores.
A Polícia também investiga supostas denúncias de assédio sexual que o padre teria praticado contra um garoto menor de idade e que poderiam ser o motivo do assassinato. Documentos que estiveram em poder de Carlos Alberto Carvalho e que comprovariam as denúncias já foram entregues à Polícia. Depois de desentendimentos com o prefeito, envolvendo a distribuição de cargos de confiança na prefeitura, o presidente do PPS estaria preparando um dossiê para denunciar Gonçalves e provocar sua cassação. Durante a campanha, Gonçalves foi acusado de assediar um garoto de 14 anos, mas a denúncia foi apresentada poucos dias antes da eleição e interpretada como uma manobra dos adversários para prejudicar o padre, que tinha a preferência do eleitorado.
A prefeitura de Mariluz ficou fechada ontem e a Polícia Militar reforçou o policiamento na cidade. Com o prefeito desaparecido e o vice morto, as autoridades locais não sabem o que fazer. Ontem à tarde, oito vereadores procuraram o Fórum de Cruzeiro do Oeste, mas a Justiça também não apontou nenhuma solução. O presidente da Câmara, Benedito Oscar (PPB), disse que hoje vai consultar advogados para tentar encontrar uma saída legal para o problema. Definido o afastamento do prefeito, o presidente da Câmara deve assumir e convocar novas eleições.


