Polícia retoma investigação sobre Refúgio
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terça-feira, 31 de julho de 2001
Lino Ramos e Cláudio Lopes<BR>De Londrina 
O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) prestou depoimento anteontem ao delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Vinícius Amaro. Belinati foi ouvido no inquérito aberto em 1994 por solicitação do Ministério Público (MP) para investigar denúncias de superfaturamento na compra da Fazenda Refúgio (zona sul), destinada a abrigar casas populares.
Belinati foi ouvido no 2º Distrito Policial (DP), onde estava preso preventivamente, acusado, numa ação, de desviar R$ 270 mil dos cofres públicos. A Fazenda Refúgio, de 146 alqueires, foi adquirida pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) em 1991, durante a segunda gestão de Belinati. Por ser um terreno acidentado, o local ficou conhecido por Pirambeira. Na época, o presidente da Cohab era Ângelo Simeão.
O atual presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, que era vereador em 1991, lembra que o município pagou US$ 1 milhão pelo imóvel. Porém, segundo ele, imobiliaristas da época avaliaram que a área valeria só a metade. Há dez anos o imóvel era considerado muito distante da área central e não tinha a valorização atual. O terreno não valia metade do que foi pago, ressaltou.
O delegado-operacional disse que Belinati alegou que na época a Cohab tinha autonomia financeira, mas o negócio foi realizado de acordo com a lei, com a proposta de construir casas populares. Ele (Belinati) disse que não participou do negócio, só referendou a compra feita pelo presidente da Cohab (Simeão), relatou Amaro. Durante seu depoimento, Belinati disse ainda que na época, o presidente da Cohab gozava de plena confiança do prefeito.
Amaro decidiu reconduzir o caso, após receber recentemente o inquérito que estava na delegacia-adjunta da 10ª Subdivisão Policial. Queremos comprovar se o valor pago foi acima do valor de mercado, afirmou. Ele pretende tomar o depoimento de pelo menos 15 pessoas. Vamos ouvir Ângelo Simeão, se conseguirmos localizá-lo, comentou. Segundo o delegado, atualmente o ex-presidente da Cohab estaria morando em São Paulo.
A fazenda é alvo também de uma ação que tramita na 1ª Vara Cível, aberta por causa de uma denúncia feita em 1991 por Cheida. Na época, ele questionou o valor pago pelo município. Segundo o cartório da 1ª Cível, o processo está em fase de alegações finais. A Cohab nunca construiu casas na área.


