Foz do Iguaçu A investigação da Polícia para identificar os autores do atentado contra o presidente da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, Adilson Rabelo (PSB), de 46 anos, foi centralizada, ontem, numa extensa lista de contatos telefônicos mantidos pelo parlamentar. Ele recebeu dois tiros na cabeça, anteontem, no centro da cidade. Seu quadro clínico continuava grave até o fechamento desta edição.
A 6 Subdivisão Policial (SDP) conseguiu, ainda pela manhã, autorização da Justiça Criminal para quebra do sigilo telefônico do aparelho celular do parlamentar. A lista fornecida pela Tim Sul revela cerca de 100 telefonemas (discados e recebidos) feitos em três dias, de sexta-feira até segunda-feira pela manhã, quando ocorreu o crime.
A reportagem da Folha apurou que o último contato telefônico do vereador ocorreu às 10h05, com um líder empresarial do município, ligado ao setor imobiliário. A reportagem mantém o nome em anonimato para não atrapalhar a investigação. O penúltimo telefonema recebido veio de um celular pré-pago, sem identificação do proprietário.
Segundo testemunhas, o vereador teria abandonado uma audiência pública da administração municipal no Hotel Bella Itália logo após discutir com o interlocutor de um telefonema. Em seguida, saiu num Escort, junto com um assessor, que dirigiu o veículo. Minutos depois, o garupa de uma moto efetuou os dois disparos, possivelmente de pistola 7,65 mm.
O delegado responsável pelo caso, Walter Vicente de Oliveira, disse à Folha que é prematuro relacionar o telefonema ao crime. ''Pode ser que não tenha nada a ver. Pode ter sido uma conversa amigável'', afirmou. Oliveira disse que pedirá, via Justiça, a confirmação dos nomes dos proprietários dos telefones, para depois ouvir quem manteve contato com Rabelo de sexta-feira a domingo.
Entre segunda e terça-feira, o delegado ouviu dez pessoas, entre elas funcionários do Legislativo, a namorada e o assessor do vereador presente na hora do crime. O assessor pouco ajudou na investigação, contou o delegado. Para hoje estão previstos mais cinco depoimentos, um deles de um soldado do Exército, que testemunhou os disparos contra Rabelo.
O delegado afirmou que o grupo, por enquanto, está em fase de coleta de informações. ''Não descartamos nenhuma hipótese, seja crime político, passional ou acerto de contas. Estamos pegando uma linha investigativa para chegar à elucidação do caso'', sintetizou Oliveira, frisando que os peritos deslocados anteontem de Curitiba a Foz já foram embora. ''Precisamos de um reforço especial''. Alguns vereadores foram ouvidos informalmente pela Polícia Federal. A 6 SDP deve ouvi-los nesta semana.
O estado do vereador era delicado até o fim da tarde de ontem. O neurocirugião Celso Fagundes, chefe da equipe médica, disse, pela manhã, que uma tomografia revelou quadro estável em relação ao da noite anterior. Ele retirou o paciente do coma induzido e o manteve na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde o vereador respirava por aparelhos. ''O risco é prognóstico pouco reservado, imprevisível'', resumiu.

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