Polícia próxima de revelar fraudadores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Cascavel O Núcleo de Repressão a Crises Econômicos (Nurce) de Cascavel está prestes a desmantelar um esquema de fraudes em licitações na Prefeitura de Boa Vista da Aparecida (65 km ao sul de Cascavel), que teria participação de funcionários públicos e vereadores. Vários documentos, notas fiscais e computadores que foram apreendidos, com autorização judicial, ajudarão a polícia a chegar nos envolvidos.
A ''Operação Malta'', como foi batizada (o termo significa ''bando'', ''corja''), cumpriu na madrugada de ontem 15 mandados de busca e apreensão. Cerca de 30 investigadores e seis delegados estiveram envolvidos na operação, que aconteceu, simultaneamente, em Cascavel, Boa Vista da Aparecida, Capitão Leônidas Marques (78 km ao sul de Cascavel) e Barracão (90 km a oeste de Francisco Beltrão), onde estariam as sedes das empresas supostamente envolvidas nas fraudes.
Segundo o delegado do Nurce em Cascavel, Carlos Daniel dos Reis, as investigações começaram há cerca de três meses, depois que o Nurce recebeu denúncia de que notas fiscais fraudadas estariam sendo usadas para o pagamento de serviços, mas as empresas que seriam detentoras das notas nunca trabalharam para a Prefeitura de Boa Vista da Aparecida.
Com autorização judicial, o Nurce fez interceptações telefônicas e com o monitoramento das ligações constatou as evidências de fraude e tráfico de influência. O delegado explicou que, com ajuda de funcionários, as empresas tinham ''informações privilegiadas'' sobre os processos de licitação, que acabavam sendo direcionados. Outras empresas participavam como ''laranjas'', mas o ganhador da licitação já estava definido antes mesmo do processo acontecer. Uma das concorrências, revelou Reis, era de compra de medicamentos.
Reis acredita que entre 11 e 13 funcionários e vereadores participaram do esquema. Ele não revela, no entanto, se alguma pessoa já foi presa ou se, pelo menos, há algum pedido de mandado de prisão. A quantia de dinheiro que teria sido desviada dos cofres públicos ainda será apurada. As investigações podem levar os envolvidos a responderem por crime de peculato, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, formação de quadrilha e tráfico de influência.
Em função do horário, a Folha não conseguiu contato com a Prefeitura e com a Câmara de Boa Vista da Aparecida.


