Pela primeira vez, após 26 dias de investigação, a polícia de Campinas (SP) pede a prisão temporária de quatro suspeitos pelo assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho, do PT, ocorrido na noite do dia 10 de setembro. Anderson Rogério Davi, de 20 anos, conhecido como Boca, detido na tarde da última sexta-feira, confessou durante depoimento que teria participado do crime, mas depois voltou atrás e negou tudo. Ele contou que o prefeito teria sido assassinado porque reagiu a um assalto, que teria sido praticado com a ajuda de outras três pessoas, que estão foragidas. Os nomes dos outros três suspeitos não foram divulgados pela polícia.
A prisão de Davi foi recebida com cautela pela atual prefeita Izalene Tiene (PT) e pela comissão nomeada pelo partido para acompanhar as investigações. ''Ele é apenas mais um suspeito: além de chegar aos autores, todos querem saber o que motivou o crime'', disse a prefeita, que não acredita muito na possibilidade de que Toninho teria sido vítima de uma tentativa de assalto. A polícia agora busca provas materiais, como a arma do crime e a moto, que foi utilizada para interceptar o Palio em que o prefeito estava, para indiciar os quatro suspeitos.
Davi foi detido na favela Buraco do Sapo, que fica próximo a avenida Mackenzie, onde Toninho foi assassinado com um tiro. A polícia investiga também se o crime não teria sido encomendado, pois durante um churrasco, quatro dias antes do crime, Davi teria dito para amigos que o prefeito não passava do dia 11. Ele é o 12º suspeito preso pela polícia. Nenhum, antes, teve a prisão temporária decretada pela Justiça. ''O que diferencia este suspeito em relação aos demais é que existem fortes indícios da sua participação'', disse o delegado seccional Osmar Porcelli.
Segundo o delegado, ''Davi negou a sua participação no início, depois confessou que estava envolvido no crime, mas que não teria sido ele o autor dos três disparos e, no final, ele negou tudo'', acrescentou o delegado. Acompanharam o interrogatório quatro representantes do Ministério Público, além do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - seção Campinas, Djalma Lacerda, que negou que o suspeito teria confessado o crime sobre coação.
A família alega que Davi confessou o crime sobre pressão. ''Ele contou, por telefone, que apanhou muito dos policiais'', disse a tia Maria Luiza Manuel. A advogada do acusado Romilda Maria Dias do Valle afirmou desconhecer o fato. ''Não posso dizer que o meu cliente foi espancado, pois terei acesso a ele somente nesta segunda-feira, pela manhã'', contou ela. Davi está preso do Centro de Detenção Provisória (CDP), de Hortolândia (SP) e, segundo o delegado seccional, cada vez que ele é movimentado de um lugar para outro, por determinação do judiciário, será realizado exame de corpo de delito. ''Não ocorreu nenhum tipo de violência durante o depoimento'', alega Porcelli.

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