Agência Estado
De Brasília
O ex-deputado estadual José Gerardo de Abreu, cassado este mês pela Assembléia Legislativa do Maranhão e acusado pela CPI do Narcotráfico de comandar a ramificação do tráfico de drogas naquele Estado, foi preso anteontem pela Polícia Federal no Hospital Brasília, onde estava internado depois de suposta tentativa de suicídio. Ele recebeu a voz de prisão às 16h45 de sábado após ser transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a enfermaria.
O ex-parlamentar foi transferido ontem de Brasília para São Luís, algemado. A PF vai abrir inquérito para investigar os fatos que envolveram a internação do deputado cassado. José Gerardo, que estava foragido, passou cerca de 30 horas no Hospital Brasília, e quase 11 horas na Superintendência da PF do Distrito Federal. ‘Quero dizer que sou inocente. Sou inocente. Sou inocente’’, repetiu José Gerardo, ao deixar a PF em Brasília.
No sábado ele recusou-se a assinar os dois mandados de prisão e os policiais federais tiveram de designar dois funcionários do hospital para que fossem testemunhas da prisão. Seu advogado, Pedro Calmon, que poderia assinar os mandados, também não estava presente. José Gerardo estava desaparecido desde o início do mês porque há três mandados de prisão contra ele. O presidente interino do Tribunal Regional Federal, juiz Fernando Tourinho Neto, negou o pedido de liminar em habeas-corpus.
O juiz argumentou que há indicíos de que o ex-deputado participou dos crimes e que é aconselhável que ele continue preso já que se trata de crime organizado.
O chefe da Delegacia de Entorpecentes e integrante do grupo de combate à impunidade do Ministério da Justiça, delegado Rodney Miranda, disse que a Polícia Federal vai abrir uma investigação para apurar a suspeita de que o ex-parlamentar armou uma farsa para hospitalizar-se mentindo sobre a tentativa de suicídio e, desta forma, tentar impedir a prisão. A PF vai pedir cópias dos prontuários médicos e dos exames a que Gerardo foi submetido.
O deputado foi internado na última sexta-feira porque teria tentado suicídio de acordo com a versão de seu advogado e de seu médico particular Heverton de Campos Menezes.
O advogado de Gerardo, Pedro Calmon, obteve autorização para interná-lo da juíza Selene Maria de Almeira, da Justiça Federal em Brasília, e entrou com o pedido de habeas-corpus. Segundo o médico, José Gerardo tentou o suicídio tomando uma ‘‘overdose’’ de tranquilizantes e antidepressivos (36 comprimidos de Lexotan e 12 de Lorasepan).
Calmon responsabilizou a CPI do Narcotráfico pela tentativa de suicídio do ex-deputado. ‘‘Esse é o resultado dessa desastrosa comissão: um policial se suicidou, meu cliente tentou suicídio e o Badan Palhares está no hospital’’, protestou Calmon. ‘‘Os integrantes da CPI estão fazendo uma colagem no regime de 64, uma caça às bruxas’’, acusou ele.

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